Diante da crise e do enfraquecimento do regime socialista, cresce presença de evangélicos em Cuba
Em meio à maior crise econômica dos últimos 30 anos, Cuba registra o avanço de igrejas evangélicas em várias regiões da ilha. O movimento é visível nas ruas de Havana, onde grupos de jovens se reúnem publicamente para orar, fenômeno até recentemente incomum no país.
O país que adotou por décadas um modelo de Estado ateu, agora presencia uma expansão das religiões protestantes, especialmente as de orientação pentecostal e neopentecostal. Não há dados oficiais sobre o número de fiéis, mas pesquisadores confirmam o crescimento nos últimos cinco anos.
A busca por consolo espiritual aumentou após a pandemia e o agravamento da situação econômica.
Historicamente católica por herança da colonização espanhola, a ditadura cubana passou a restringir a prática religiosa após a revolução socialista de 1959. A Constituição de 1976 estabeleceu o país como laico e baseado em concepção científica marxista. Cargos públicos, acesso ao ensino superior e filiação ao Partido Comunista estavam condicionados à declaração de ateísmo.
Mesmo com limitações, a religiosidade se manteve viva em núcleos familiares, igrejas domésticas e práticas como a santeria. Com a queda da União Soviética e o enfraquecimento ideológico do regime, o Estado cubano iniciou uma reaproximação com a Igreja Católica, especialmente após a visita do Papa João Paulo II, em 1998.
Na última década, aumentaram também as manifestações públicas das igrejas evangélicas, algumas ligadas a congregações latino-americanas ou norte-americanas. Cultos ao ar livre, templos adaptados em residências e uso intensivo de redes sociais marcam essa nova fase.
Em meio ao crescimento religioso, surge também maior presença evangélica em debates sociais e políticos. Em 2023, líderes religiosos publicaram nota favorável a Israel, contrariando o posicionamento oficial do governo.
Pesquisadores identificam nessas manifestações elementos de um conservadorismo semelhante ao observado em outros países da América Latina. As igrejas neopentecostais, segundo observadores, têm papel crescente como espaço de acolhimento, organização comunitária e expressão política.
A Constituição de 2019 garante a liberdade religiosa, mas não há levantamento oficial sobre as crenças praticadas na ilha. Especialistas apontam que o governo cubano ainda evita interferência estatal nesse campo, como legado da antiga política ateísta.
O avanço das igrejas evangélicas marca uma mudança significativa no perfil social e religioso da população cubana, ainda em transformação diante das dificuldades econômicas e das mudanças políticas do regime.
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