Em carta, Zambelli anuncia greve de fome e pressiona ministro italiano contra extradição
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Em carta, Zambelli anuncia greve de fome e pressiona ministro italiano contra extradição

Deputada fugiu para a Itália após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
Deputada fugiu para a Itália após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Deputada está presa em Roma desde julho e afirma ser vítima de perseguição política

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) anunciou nesta quinta-feira (9), em uma carta endereçada ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que começará uma greve de fome. A medida ocorre após a Corte de Cassação italiana decidir manter sua prisão, um dia após a defesa da deputada tentar reverter a decisão de regime fechado enquanto o processo de extradição avança.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

“Por ter a certeza absoluta que o senhor não tomou a melhor decisão, começo hoje uma greve de fome que só o senhor pode acabar, negando minha extradição, o que me colocará em liberdade, que é o correto. Se o governo do Brasil fez pressão no senhor, então minha greve de fome também fará. Do que adianta viver sem justiça?”, diz o trecho.

Ela utiliza ainda uma metáfora histórica, dizendo esperar que Nordio “não seja outro romano a ‘lavar as mãos’”, uma referência à decisão do governador romano Pôncio Pilatos de não se envolver no julgamento de Jesus Cristo.

Zambelli, que fugiu para a Itália após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alega ser vítima de uma perseguição política. 

Em sua carta, a deputada também acusou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator de seu caso, de agir de maneira autoritária. Ela afirmou que, ao manter sua prisão, Nordio estaria acolhendo uma “decisão injusta e sem provas” do magistrado brasiliero e mencionou a aplicação dos Estados Unidos da Lei Magnitsky — criada para punir violações graves de direitos humanos e casos relevantes de corrupção — contra Moraes.

“Com este consentimento seu em manter uma cidadã inocente, na cadeia, o senhor está de mãos dadas com o próprio demônio e vai se sujar também? Busquei a Itália porque tenho esperança neste país ainda prezar pela democracia e a justiça”, declarou Zambelli.

A parlamentar aproveitou ainda para criticar o alinhamento da Itália com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com regimes que considera autoritários. 

“Não se trata nem de direita e esquerda, mas do que é certo e errado. O senhor está ao lado que apoia Hamas, tráfico de drogas, terrorismo, Irã, regimes narcoditadores como na Venezuela, ditadura de Cuba, entre outros pela América do Sul e África”.

Relembre a fuga de Zambelli para a Itália

Detida em Roma desde o final de julho, Zambelli deixou o Brasil antes de iniciar o cumprimento da pena a que foi condenada e, segundo informações da investigação, traçou uma rota de fuga que começou pela Argentina, passou pelos Estados Unidos e terminou na Itália — país onde buscava se estabelecer, amparada por sua cidadania italiana.

Diante disso, foi declarada fugitiva pela Justiça brasileira e teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), até ser localizada e encaminhada para a penitenciária feminina de Rebibbia, na capital do país europeu.

Além da condenação que motivou o pedido de extradição, Zambelli também acumula outra sentença no Brasil: cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. A decisão está relacionada a um episódio ocorrido durante a campanha eleitoral de 2022, quando a deputada foi flagrada perseguindo o jornalista Luan Araújo com uma arma em mãos nas ruas de São Paulo.

Zambelli nega as acusações e sustenta que tem sido vítima de perseguição política. Sua defesa afirma que o processo judicial foi conduzido de forma irregular, com limitações ao direito ao contraditório e à ampla defesa. 

Os advogados também argumentam que o estado de saúde da parlamentar seria incompatível com o encarceramento, pleiteando a substituição da prisão por regime domiciliar. No entanto, um laudo médico elaborado por peritos judiciais concluiu que ela está sob acompanhamento psiquiátrico contínuo e não apresenta condições clínicas que justifiquem a soltura. 

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade