Para o especialista, o alto valor das despesas é o “coração do problema” fiscal no Brasil
Caio Megale, economista-chefe da XP, analisou as recentes medidas do governo para substituir o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), inicialmente proposto para cobrir o déficit fiscal. Nesta segunda-feira (9) Megale alertou que qualquer mudança tributária gera distorções.
“Não tem jeito: mexeu com imposto, vai mexer com setores, vai causar distorção. Não vai causar distorção no IOF, mas vai causar com outro imposto. Política tributária é isso”, afirmou Megale. Para ele, o pano de fundo é claro: “o modelo de aumento de gastos com aumento de impostos e arrecadação parece ter chegado perto de um limite.”
Neste domingo (8), Fernando Haddad e o líderes do Congresso, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, firmaram um acordo para compensar a revogação da alta do IOF. No acordo, haverá um aumento na taxa de imposto para bets, fintechs e título isentos.
Megale destacou que as propostas divulgadas se concentram no lado da receita, embora o governo tenha manifestado a intenção de reduzir benefícios tributários para empresas. “Isso também está do lado da receita. Quando se diminui o benefício tributário, as empresas pagam mais impostos. De fato, há alguns desses benefícios que não fazem sentido, que precisam ser repensados, mas são todas as medidas do lado da receita”, explicou.
O economista lamentou a ausência de discussões sobre o lado dos gastos na despesa, que, em sua visão, é o cerne do problema fiscal. “A discussão das despesas, que no fundo é o coração do problema, com sistema de gastos e despesa que cresce de forma sistemática, essa reforma mais profunda vai ficar para depois das eleições”, complementou. Ele reconheceu que reformas estruturais desse tipo, que demandam grande capital político, são mais comuns no início de um governo, não no penúltimo ano.
