O acordo feito com Motta e Alcolumbre representa uma vitória política para Haddad
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), celebrou a decisão do governo federal de ajustar parte do decreto que elevava a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em publicação no X (antigo Twitter) no domingo (8/5), Motta classificou o recuo como uma “vitória do bom senso – e da boa política”, enfatizando o papel do Congresso em reagir à medida.
“Imposto não pode ser solução fácil para cobrir gasto público”, declarou Motta, reiterando a vigilância e o compromisso do Legislativo com o “Brasil real”. Ele concluiu que o debate gira em torno da “liberdade do país para decidir o seu rumo”, pois “quem não controla suas contas, perde o direito de escolher seus sonhos”.
O governo recuou e decidiu rever o decreto que aumentava o IOF.
Foi uma vitória do bom senso — e da boa política.O Congresso cumpriu seu papel com firmeza e responsabilidade ao reagir ao decreto. Não se trata de confronto, mas de equilíbrio.
Imposto não pode ser solução fácil…
— Hugo Motta (@HugoMottaPB) June 9, 2025
A alteração do decreto do IOF foi resultado de um ultimato dado por Motta e Alcolumbre (União Brasil-AP) a Haddad. O prazo de 10 dias para a revogação do decreto, que entrou em vigor em 2 de junho, venceria nesta semana. Motta chegou a sinalizar que pautaria um projeto de decreto legislativo para derrubar a medida do governo Lula, reforçando a posição do Congresso contra o aumento de impostos.
Apesar de Motta e Alcolumbre terem celebrado a revisão do IOF e um suposto acordo para a revisão de gastos públicos após a reunião de domingo, o desfecho representou uma derrota política para os líderes do Congresso.
Na prática, haverá um aumento de impostos, ainda que menor do que o inicialmente pretendido pela Fazenda e pelo Planalto. A situação se configura como uma vitória política para Haddad, pois ele conseguiu a concordância dos líderes do Congresso para elevar outras cargas tributárias e compensar a arrecadação não obtida com o IOF.
O IOF sobre compras com cartões de crédito internacionais será mantido. Essa medida afeta tanto a classe média e os mais ricos, que viajam ao exterior, quanto os consumidores de menor renda que realizam compras de sites internacionais de até US$ 50, popularmente conhecidas como “compras das blusinhas”.
Para compensar a redução do IOF em outras áreas, o governo decidiu aumentar a alíquota do imposto sobre as empresas de apostas (bets). Atualmente em 12%, a taxa subirá para 18%. A data de início dessa nova cobrança ainda não foi definida.
