Diretor financeiro do DNIT é apontado pela PF como peça-chave em fraudes do INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Diretor financeiro do DNIT é apontado pela PF como peça-chave em fraudes do INSS

Embora não fosse integrante do núcleo decisório da organização, a Polícia Federal afirma que a atuação de Marcos de Brito era essencial
Embora não fosse integrante do núcleo decisório da organização, a Polícia Federal afirma que a atuação de Marcos de Brito era essencial. Foto: Reprodução/ DNIT.

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Marcos de Brito é acusado de viabilizar lançamentos indevidos em benefícios previdenciários

A Polícia Federal identificou o diretor de Administração e Finanças do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Marcos de Brito Campos Júnior, como uma figura indispensável da organização criminosa responsável por viabilizar o esquema de fraudes envolvendo descontos associativos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Servidor de carreira do INSS, Marcos de Brito ocupou o cargo de superintendente da autarquia no Nordeste antes de assumir, em outubro de 2023, a diretoria no DNIT. Segundo a PF, ele integra o núcleo de servidores públicos associados à organização estruturada por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

Embora não fosse integrante do núcleo decisório da organização, a Polícia Federal afirma que a atuação de Marcos de Brito era essencial para o funcionamento do esquema.

“Embora não integre o núcleo central de tomada de decisões, sua participação é essencial para viabilizar a prática dos ilícitos da organização criminosa.”

Entre os elementos reunidos pela investigação estão registros de passagens aéreas adquiridas por uma empresa de fachada vinculada a Antônio Camilo. Segundo a PF, os custos de viagem de Marcos de Brito foram bancados pela Prospect Consultoria Empresarial Ltda., apontada como instrumento financeiro da organização criminosa.

Pedido de pagamento sigiloso de R$ 20 mil

A PF também identificou mensagens que indicam o pagamento direto de valores a Marcos de Brito. Em conversa por aplicativo, Antônio Camilo solicita a um operador financeiro do grupo “uma gentileza no modo silencioso.”

De acordo com o documento, o pedido se referia ao repasse de R$ 20 mil, que deveria ser feito de forma discreta. Em outra mensagem, Antônio orienta:

“Coloque de maneira discreta em um envelope ou recipiente que não deixe transparecer o que é! Evitar o desconforto para ele! (…) Segure as de 200.”

Horas depois, o intermediário informa que a entrega havia sido concluída: “Passei para o Marcos o bilhete.”

Facilitador dentro da estrutura pública

Para a PF, Marcos atuava como facilitador operacional, ocupando posição estratégica dentro da cadeia administrativa do INSS e contribuindo para a manutenção dos lançamentos indevidos nos benefícios previdenciários.

Segundo a representação:

“O recebimento de valores por parte de MARCOS BRITO, sob determinação de ANTONIO CAMILO, conforme demonstrado, o insere entre os agentes centrais da engrenagem criminosa, indispensável à obtenção, circulação e aproveitamento dos proveitos ilícitos.”

A PF destaca que não se trata de uma participação periférica, ressaltando que o investigado chegou a participar de reuniões com o alto escalão do Ministério da Previdência. Diante dos indícios, a polícia recomendou seu afastamento imediato de funções de confiança no DNIT.

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