Defesa de Filipe Martins contesta prisão com ata em cartório
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Defesa de Filipe Martins contesta prisão com ata em cartório

Recurso ao STF questiona uso de print e pede envio do caso à Primeira Turma

filipe martins

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A defesa do ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República Filipe Martins protocolou, nesta segunda-feira (2), recurso contra a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve a prisão do ex-assessor. O pedido solicita a reconsideração da decisão ou, alternativamente, o envio do caso para julgamento pela Primeira Turma, em sessão presencial.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A prisão foi decretada após o militar da reserva Ricardo Roquetti comunicar ao STF, por e-mail, que Filipe Martins teria pesquisado seu perfil na rede social LinkedIn, em descumprimento a medida cautelar que proíbe o uso de plataformas de comunicação. Mesmo após a defesa apresentar relatório extraído do próprio site, indicando inexistência de acesso, o ministro decidiu manter a prisão.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou que não havia fatos novos que justificassem a revogação da medida, por considerar que não foram apresentados documentos confiáveis capazes de afastar a acusação.

No novo recurso, os advogados juntaram aos autos uma ata notarial, lavrada em cartório, na qual o relatório do LinkedIn é acessado na presença de um tabelião. De acordo com o documento, o último acesso registrado ocorreu em 13 de setembro de 2024, período em que Filipe Martins não estava impedido de utilizar redes sociais.

“Destaque-se que o IP do acesso de 13/09/2024 é da Flórida, EUA, pois foi acesso realizado pela defesa do réu nos Estados Unidos, com a finalidade de obter elementos para o processo naquele país, que visa provar a fraude cometida contra o réu com o intuito de prendê-lo”, afirma o recurso.

A defesa também aponta o risco de se fundamentar uma prisão com base exclusiva em capturas de tela, destacando a possibilidade técnica de edição ou manipulação das imagens apresentadas.

“Não se pode ignorar a facilidade com que um usuário pode alterar o conteúdo de uma página web localmente — através da função ‘inspecionar elemento’ do navegador — antes de realizar o print, ou ainda utilizar ferramentas de edição gráfica e inteligência artificial generativa para sobrepor nomes e fotos em contextos forjados”, sustenta o texto.

Segundo os advogados, há ainda a possibilidade de que os prints tenham registrado o acesso de um perfil falso criado com nome e imagem semelhantes aos do ex-assessor, com o objetivo de simular descumprimento da decisão judicial.

Filipe Martins é réu no núcleo 2 das ações penais que apuram o suposto plano de golpe de Estado investigado pelo STF. Em dezembro de 2025, ele foi condenado a 21 anos de prisão, acusado de participação na elaboração da chamada “minuta do golpe”, documento que teria sido usado para dar aparência de legalidade ao plano investigado.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade