Advogado afirma que omissões e contradições anulam a colaboração e denuncia falta de acesso às provas
O advogado Celso Vilardi, que representa Jair Bolsonaro, sustentou agora há pouco (3) a defesa final do ex-presidente na fase conclusiva do julgamento do núcleo 1 no Supremo Tribunal Federal. Ele questionou o uso da delação do tenente-coronel Mauro Cid e afirmou que houve cerceamento de defesa.
Vilardi disse que a colaboração premiada, nos termos em que foi aceita, não tem paralelo em outros países. “A delação da forma como está sendo proposta não é uma jabuticaba, que existe aqui no Brasil. É algo que não existe em nenhum lugar do mundo!”, afirmou.
Segundo ele, o próprio delator não envolveu Bolsonaro em minutas ou operações citadas pela acusação. “Nem o delator que o sustentou mentiu contra o presidente da República, nem ele chegou a dizer participação em Punhal, em Luneta, em Copa, em 8 de janeiro. Nem o delator. Não há uma única prova”, disse.
O advogado afirmou que a lei é clara sobre os efeitos de contradições em delações. “Omissão ou contradição deve anular a colaboração”, disse. Para ele, o que se pretende é reconhecer falsidades parciais e ainda assim utilizar a delação para reduzir penas.
Vilardi também disse que o processo contra Bolsonaro foi conduzido com falhas graves. “Eu não conheço a íntegra desse processo, a íntegra da prova eu não conheço, a instrução com menos de 15 dias, eu não conheço e porque não conheço eu não pude questionar. Eu não conheço esse processo”, afirmou.
Ele criticou a restrição ao acesso às provas. “A prova é da defesa. O juízo de valor sobre essa prova é de v. exas! Não cabe ao delegado, ao promotor ou ao juiz estabelecer quais provas a defesa tem direito de ver”, disse, citando o ministro Gilmar Mendes.
Vilardi classificou o caso como um processo histórico, pela dimensão dos envolvidos e pela fragilidade das acusações. “Estamos diante de um julgamento histórico. Pela importância do tema, por envolver um ex-presidente, generais e tantas pessoas. Um processo que tem início, em relação ao ex-presidente, com base em uma delação e em uma minuta encontrada no celular de um colaborador da Justiça”, afirmou.
Ele disse ainda que a acusação não conseguiu comprovar ligação entre Bolsonaro e os eventos investigados. “Não há uma única prova, vejo os advogados trazendo papéis, minutas, depoimentos, não há uma única prova que atrele o presidente ao Punhal Verde Amarelo, à Operação Luneta e ao 8 de janeiro. Nem o delator chegou a dizer que houve participação”, declarou.
Vilardi finalizou destacando que o Ministério Público não produziu provas suficientes. “Eu vou comprovar que a denúncia proposta, o MP sequer fez prova sobre o crime do contraditório desses fatos”, disse.
