Advogado diz que imagem desmontaria versão da PF sobre visita a Bolsonaro
A defesa de Filipe Martins, ex-assessor especial da Presidência e réu no núcleo 2 da investigação sobre a suposta trama golpista, informou nesta segunda-feira (8/12) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a exclusão de uma imagem que seria usada na apresentação de sua defesa no julgamento marcado para terça-feira (9).
O advogado Jeffrey Chiquini relatou nas redes sociais que a equipe precisou refazer os slides após determinação do relator e, pouco depois, recebeu nova intimação para remover a foto de um padre rezando com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo Chiquini, a imagem seria usada para contestar uma alegação da Polícia Federal de que o padre teria participado, ao lado de Martins, de uma visita a Bolsonaro para tratar de uma suposta “minuta golpista”.
“O ministro proibiu que mostremos uma foto de um padre”, escreveu o advogado. “Na foto, porém, o que se vê é apenas o padre rezando pela saúde do presidente, e nada de golpe.”
Chiquini afirmou que, mais uma vez, a defesa precisará adaptar o material probatório de acordo com as exigências do julgador, em um episódio que evidencia a tensão sobre o manejo de provas no processo.

O julgamento integra o núcleo 2 da investigação sobre a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022 e de influenciar medidas institucionais.
Filipe Martins é acusado de participar de ações que configurariam tentativa de ruptura democrática.
O STF mantém sob sigilo parte dos documentos e depoimentos relacionados ao caso, e a Corte não se manifestou oficialmente sobre o veto à imagem ou sobre o julgamento em andamento.
Contexto do julgamento
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa na terça-feira (9) o julgamento de seis acusados de envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022. Os ministros vão analisar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o chamado “núcleo 2” da articulação golpista.
Segundo a PGR, o grupo era formado por pessoas com cargos importantes que coordenaram ações da organização. Entre elas, o uso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para atrapalhar o funcionamento das eleições e impedir eleitores contrários ao então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Também são citados a elaboração de um decreto golpista e um plano para matar autoridades.
