Dantas: “Querem mudar a Constituição sem apresentar dados”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Dantas: “Querem mudar a Constituição sem apresentar dados”

Apresentador critica PEC que reduz jornada para 40 horas e cobra debate técnico

Claudio Dantas e Bia Kicis criticam proposta de reduzir jornada para 40 horas e citam estudo da CNI que aponta impacto de até R$ 267 bilhões por ano

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Nesta terça-feira (24), no Alive, programa exibido no YouTube, o jornalista Claudio Dantas afirmou que a proposta de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas é discutida sem base técnica.

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Como este site já havia adiantado, integrantes do PL avaliam barrar o fim da escala 6×1. Segundo ele, há parlamentares que cogitam apoiar a pauta por considerá-la popular. Para Dantas, a medida representa “redução da produtividade”, “redução da riqueza circulante” e “expansão da miséria”.

O jornalista criticou a ausência de estudos apresentados pelo governo e pela deputada Erika Hilton, autora da proposta. “Vocês querem impor à sociedade uma mudança constitucional sem apresentar dados que justifiquem essa mudança constitucional”, declarou. Em outro trecho, afirmou: “ô Erika, pare de ser irresponsável, pare de jogar para a plateia”.

Dantas também citou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente Lula, ao afirmar que a proposta é defendida sem estudos técnicos.

Ele mencionou levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado na segunda-feira (23), que estima aumento anual entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões nos custos com empregados formais. Segundo a entidade, o impacto pode atingir 7% da folha de pagamentos.

Dantas afirmou que a comparação com países como os Estados Unidos desconsidera diferenças econômicas. Segundo ele, países que reduziram jornada já alcançaram maior nível de produtividade.

Ao citar a categoria dos bancários, lembrou que a jornada de seis horas foi estabelecida em 1933 e incorporada à CLT em 1943. Disse que, na prática, houve aumento de pressão por metas e crescimento de casos de burnout. “Em vez de ter oito horas para cumprir metas, ele tem só seis”, afirmou.

Ele também declarou ser contrário à fixação da jornada na Constituição. “O Estado não tem que dizer quantas horas eu quero trabalhar”, disse. Segundo ele, a mudança retiraria espaço de negociação coletiva e ampliaria a informalidade.

A deputada Bia Kicis afirmou que o risco de aprovação é elevado. “O risco de se passar é altíssimo”, disse. Segundo ela, o discurso de ampliar lazer não resolve a situação econômica do trabalhador.

Para a parlamentar, a proposta impede que o trabalhador aumente sua renda. “O fato de você proibir uma pessoa de trabalhar mais não vai fazer com que ela tenha lazer automaticamente”, afirmou. Ela declarou que a medida pode gerar mais informalidade e retirar poder de negociação dos sindicatos caso seja incorporada à Constituição.

Impacto econômico

Além da CNI, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo projeta impacto adicional de R$ 122,4 bilhões no comércio, com alta de 21% na folha salarial, e de R$ 235 bilhões no setor de serviços. A estimativa inclui possível perda de 631 mil empregos formais.

Segundo os dados apresentados, até 31,5 milhões de trabalhadores com carteira assinada podem ser afetados. A CNI aponta que micro e pequenas empresas concentram maior impacto proporcional, por reunirem mais empregados com jornada superior a 40 horas semanais.

O tema integra o debate político e pode ser discutido no Congresso em 2026.

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