CPMI do INSS pede prisão de chefe de sindicato ligado ao irmão de Lula
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

CPMI do INSS pede prisão de chefe de sindicato ligado ao irmão de Lula

Relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, aponta desvio de mais de R$ 6 bilhões e denuncia “máfia da Previdência” envolvendo associações
Relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, aponta desvio de mais de R$ 6 bilhões e denuncia “máfia da Previdência” envolvendo associações

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Gaspar acusa Milton Cavalo de obstruir investigações e destruir provas em esquema de desvios no Sindnapi

O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pediu a prisão preventiva de Milton Baptista de Souza, conhecido como Milton Cavalo, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). O parlamentar acusa o dirigente de obstrução das investigações e destruição de provas sobre o desvio de recursos de aposentados e pensionistas.

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O requerimento foi apresentado hoje (14). Segundo Gaspar, há indícios de que o dirigente sindical atuou para impedir o rastreamento de valores desviados. O relator destacou repasses milionários do sindicato a empresas de familiares de dirigentes e à offshore aberta em Delaware (EUA) pela esposa de Cavalo.

“Verifica-se, portanto, que todas as empresas que receberam valores do Sindnapi continuam normalmente suas atividades, demonstrando a existência concreta de fatos contemporâneos aptos a justificar a decretação da prisão preventiva”, afirmou Gaspar.

Durante depoimento à CPMI na semana passada, Milton Cavalo ficou em silêncio, amparado por habeas corpus concedido pelo STF, que o protegia de prisão durante a oitiva. A decisão foi criticada por parlamentares. “Estou frustrado. Onde vamos parar?”, questionou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Milton Cavalo, presidente da Sindnapi, opta pelo silêncio na CPMI. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Milton Cavalo, presidente da Sindnapi, opta pelo silêncio na CPMI. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que a CPMI tem o dever de investigar até o fim. Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ressaltou que a comissão continua analisando documentos obtidos por meio da quebra de sigilo.

O Sindnapi é investigado por ter recebido mais de R$ 600 milhões entre 2008 e 2025 por meio do sistema de descontos associativos do INSS. O relator apontou ainda o pagamento de R$ 210 milhões à BMG Corretora, com retorno de apenas R$ 24 milhões, além de repasses de R$ 16 milhões ao Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e R$ 600 mil a uma servidora de Senador Canedo (GO).

Gaspar também questionou o aumento repentino de mais de 100 mil filiações ao Sindnapi entre 2023 e 2024, em desacordo com norma que proíbe registros coletivos. O deputado cobrou explicações sobre quem autorizou o procedimento no INSS ou no Ministério da Previdência.

Durante a sessão, o relator lembrou que a pressão da CPMI levou à prisão de Careca e Camisotti e ao bloqueio de bens dos envolvidos. “Hoje, depois de um ano de silêncio e proteção, finalmente a polícia bateu à porta do Sindnapi. Coincidência? Não. É resultado do nosso trabalho!”, declarou.

Gaspar disse que as investigações continuarão. “Vamos até o fim. Irei pedir a prisão preventiva de Milton Cavalo e, em breve, de mais envolvidos. Porque quem rouba aposentado não merece proteção, merece cadeia!”, afirmou.

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