Gaspar acusa Milton Cavalo de obstruir investigações e destruir provas em esquema de desvios no Sindnapi
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), pediu a prisão preventiva de Milton Baptista de Souza, conhecido como Milton Cavalo, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). O parlamentar acusa o dirigente de obstrução das investigações e destruição de provas sobre o desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
O requerimento foi apresentado hoje (14). Segundo Gaspar, há indícios de que o dirigente sindical atuou para impedir o rastreamento de valores desviados. O relator destacou repasses milionários do sindicato a empresas de familiares de dirigentes e à offshore aberta em Delaware (EUA) pela esposa de Cavalo.
“Verifica-se, portanto, que todas as empresas que receberam valores do Sindnapi continuam normalmente suas atividades, demonstrando a existência concreta de fatos contemporâneos aptos a justificar a decretação da prisão preventiva”, afirmou Gaspar.
Durante depoimento à CPMI na semana passada, Milton Cavalo ficou em silêncio, amparado por habeas corpus concedido pelo STF, que o protegia de prisão durante a oitiva. A decisão foi criticada por parlamentares. “Estou frustrado. Onde vamos parar?”, questionou o senador Eduardo Girão (Novo-CE).

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que a CPMI tem o dever de investigar até o fim. Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ressaltou que a comissão continua analisando documentos obtidos por meio da quebra de sigilo.
O Sindnapi é investigado por ter recebido mais de R$ 600 milhões entre 2008 e 2025 por meio do sistema de descontos associativos do INSS. O relator apontou ainda o pagamento de R$ 210 milhões à BMG Corretora, com retorno de apenas R$ 24 milhões, além de repasses de R$ 16 milhões ao Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e R$ 600 mil a uma servidora de Senador Canedo (GO).
Gaspar também questionou o aumento repentino de mais de 100 mil filiações ao Sindnapi entre 2023 e 2024, em desacordo com norma que proíbe registros coletivos. O deputado cobrou explicações sobre quem autorizou o procedimento no INSS ou no Ministério da Previdência.
Durante a sessão, o relator lembrou que a pressão da CPMI levou à prisão de Careca e Camisotti e ao bloqueio de bens dos envolvidos. “Hoje, depois de um ano de silêncio e proteção, finalmente a polícia bateu à porta do Sindnapi. Coincidência? Não. É resultado do nosso trabalho!”, declarou.
Gaspar disse que as investigações continuarão. “Vamos até o fim. Irei pedir a prisão preventiva de Milton Cavalo e, em breve, de mais envolvidos. Porque quem rouba aposentado não merece proteção, merece cadeia!”, afirmou.
