Deputados da CPMI do INSS veem nova CPI como aliada
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Deputados da CPMI do INSS veem nova CPI como oportunidade para ampliar investigações

Deputados da CPMI do INSS afirmam que nova CPI do Crime Organizado pode fortalecer investigações contra o governo.
Deputados da CPMI do INSS afirmam que nova CPI do Crime Organizado pode fortalecer investigações contra o governo.. Foto: Reprodução/YouTube

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Parlamentares afirmam que CPI do Crime Organizado não ameaça apurações sobre fraudes na Previdência

Deputados que integram a CPMI do INSS afirmaram nesta quarta-feira (30) que a criação da CPI do Crime Organizado no Senado não deve enfraquecer as investigações sobre fraudes previdenciárias. Para eles, as duas comissões tratam de frentes distintas, mas complementares, e podem ampliar a pressão sobre o governo federal.

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O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou para a equipe deste site que os focos das investigações são diferentes, mas igualmente relevantes.

“São objetos de investigação bastante distintos. Na CPMI do INSS, organizações criminosas, sem armas e sem mortes sangrentas, roubaram bilhões de reais de aposentados e pensionistas. É o crime organizado do andar de cima, com apoio político e jurídico. Nada vai abafar essas apurações!”, disse.

Gaspar defendeu que o trabalho da comissão mista tem revelado uma rede sofisticada de desvios e que a apuração sobre milícias e facções, conduzida pelo Senado, pode mostrar outro lado do mesmo problema: a falência do Estado em áreas essenciais.

O deputado Zé Trovão (PL-SC) também minimizou o risco de sobreposição entre as duas comissões. Para ele, quanto mais frentes de investigação forem abertas, maior será a exposição das omissões do governo.

“A criação da CPI do Crime Organizado não precisa ser vista como um problema ou uma ameaça à CPMI do INSS. Pelo contrário: quanto mais a omissão do governo federal for investigada e os responsáveis pelos atrasos do país forem identificados, melhor para o Brasil.”

O parlamentar afirmou que as duas CPIs têm pontos de conexão.

“São frentes diferentes, mas que se conectam em um ponto central: a ineficiência e a falta de controle do governo sobre áreas essenciais. Enquanto a CPMI do INSS investiga o colapso na Previdência e as fraudes que prejudicam o cidadão, a CPI do Crime Organizado pode revelar como o crime avança justamente pela ausência do Estado”, afirmou.

Zé Trovão também destacou que o sucesso das duas comissões dependerá da coordenação política da oposição.

“Se bem conduzidas, as duas podem caminhar juntas e fortalecer a oposição, que passa a expor, em duas frentes distintas, a falência da gestão federal. O risco de ‘dividir holofotes’ existe apenas se faltar coordenação. Mas, com foco e unidade, o efeito é o oposto: amplia-se o alcance das denúncias e aumenta a pressão sobre o governo.”

O deputado Duarte Júnior (PSB-MA) avaliou que a nova CPI pode dividir a atenção do Congresso, mas não inviabiliza os trabalhos em curso.

“Com certeza vai dividir o foco. Mas não acredito que abafe, pois são provas fortes demais. Tudo depende da seriedade dos membros”, disse.

Para ele, a prioridade deve ser manter o caráter técnico das apurações.

“São problemas graves que demandam investigação e solução. CPMI não é lugar para narrativa ideológica ou partidária, mas um local de combate incondicional à corrupção.”

A instalação da CPI do Crime Organizado foi determinada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após a megaoperação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 100 mortos. O colegiado será instalado na próxima terça-feira (4) e investigará “a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções”, segundo o despacho de Alcolumbre.

O senador afirmou em nota que “é hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”.

A comissão terá 11 titulares e 7 suplentes, com prazo inicial de 180 dias. Entre os indicados estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Sérgio Moro (União-PR) e Magno Malta (PL-ES), todos alinhados à oposição.

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