Deputados do PL buscam apurar rombo bilionário e gestão da estatal
Os deputados Zé Trovão (PL-SC), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Zucco (PL-RS) retomaram nesta semana a coleta de assinaturas para criar a CPI dos Correios, com foco em possíveis irregularidades na gestão da estatal.
O movimento ocorre após a revelação de um pedido de empréstimo de R$ 20 bilhões feito pelos Correios ao sistema financeiro, com garantia do Tesouro Nacional, para cobrir o déficit nas contas da empresa. O valor seria dividido em duas parcelas — R$ 10 bilhões em 2025 e R$ 10 bilhões em 2026.
O requerimento da CPI conta com 125 das 171 assinaturas necessárias. A comissão pretende investigar o desequilíbrio financeiro da estatal, o uso de recursos públicos, a regularidade de contratos e o cumprimento da Lei das Estatais, especialmente em governança e transparência.
Zé Trovão afirmou que o pedido de empréstimo bilionário expõe a gravidade da situação:
“Estamos falando de uma empresa estratégica para o Brasil, que não pode depender de socorro do Tesouro para continuar funcionando. A CPI dos Correios é necessária para apurar responsabilidades e garantir transparência sobre o que está acontecendo dentro da estatal.”
A comissão proposta teria 27 membros titulares e igual número de suplentes, com duração inicial de 120 dias, prorrogável por igual período.
Em entrevista ao programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas, o ex-CEO dos Correios Valério Marçal acusou a atual gestão de retomar práticas que teriam levado à crise da estatal.
“Criminosos voltaram à cena do crime”, disse, ao associar dirigentes atuais a antigos escândalos de fundos de pensão como Postalis e Funcef.
Segundo Marçal, figuras envolvidas em investimentos considerados lesivos — como nos casos da JBS e da Sette Brasil — voltaram à direção da empresa.
“Se a CPI for séria, vai acabar em impeachment do presidente da República”, afirmou.
Ele denunciou ainda o uso irregular de contratos “Infinity”, criados para grandes e-commerces, mas supostamente utilizados por transportadoras de fachada formadas por ex-funcionários.
“O que prejudica o Correio são ex-maus funcionários, que entendem como a empresa funciona e tiram vantagem disso com roubo e peculato.”
Marçal também alertou para o colapso do Postalis, fundo de previdência dos empregados da estatal, que classificou como uma “bomba-relógio”.
“O carteiro contribui, mas o governo coloca diretores que compram títulos da Argentina e Venezuela. Consumiram R$ 12 bilhões. E quem paga a conta? O Tesouro Nacional.”
Para ele, os Correios deveriam ser desmobilizados gradualmente.
“O Brasil não precisa mais dos Correios. Não há capacidade de geração de caixa e a dívida é impagável. Só não roubar já dava lucro.”
Horas antes da entrevista, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, informou que a empresa encerrou junho com déficit de R$ 5,6 bilhões entre ativos e passivos. A gestão tenta contratar um empréstimo de R$ 20 bilhões anuais com aval da União para reestruturar a estatal, refinanciar dívidas e custear um novo programa de demissão voluntária.
A oposição reagiu ao anúncio. A líder da minoria na Câmara, Carol De Toni (PL-SC), afirmou à CNN Brasil que “não hesitará em pedir uma CPI para impedir esse abuso”.
O deputado Sanderson (PL-RS) chamou a operação de “irresponsável” e disse que empurrar o problema para o contribuinte “é uma enjambração para cobrir um rombo financeiro acumulado pela própria gestão petista”.
No Senado, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também criticou o plano:
“Depois de quebrar os Correios, de fazer desaparecer bilhões de reais sem qualquer explicação, o Lula quer que você arque com a fatura. Devia ser considerado crime esse abuso.”
Os Correios acumularam prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, mais que o triplo do registrado no mesmo período do ano anterior.
