“Quero ver”, diz coordenadora do Sindnapi à CPMI do INSS
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

CPMI: “Quero ver esse trabalho que eles fizeram”, diz dirigente do Sindnapi sobre investigação da CGU

Em depoimento à CPMI do INSS, coordenadora do Sindnapi foi questionada por Gaspar sobre arrecadação de R$ 600 milhões e envolvimento
Em depoimento à CPMI do INSS, coordenadora do Sindnapi foi questionada por Gaspar sobre arrecadação de R$ 600 milhões e envolvimento

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Galleti nega irregularidades e desafia auditoria da CGU que apontou 92% de filiações sem autorização

Quero ver esse trabalho que eles fizeram. Eu só acredito vendo essa pesquisa que dizem ter feito em 245 mil pessoas”, afirmou Tonia Andrea Inocentini Galleti, coordenadora jurídica do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), ao contestar auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) durante depoimento à CPMI do INSS nesta segunda-feira (20).

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Tonia é filha do ex-presidente da associação, João Batista Inocentini — conhecido como João Feio — e amiga do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT). A entidade é investigada pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.

O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), confrontou a depoente sobre as inconsistências identificadas nas auditorias da CGU. Segundo o órgão, mais de 92% dos aposentados vinculados ao Sindnapi não reconheceram as autorizações para os descontos.
O Sindnapi arrecadou quase R$ 600 milhões. Qual a explicação lógica para 246 mil associados negarem a assinatura?”, questionou Gaspar.

Levantamento apresentado pela CGU e utilizado pelo relator da CPMI, Alfredo Gaspar
Levantamento apresentado pela CGU e utilizado pelo relator da CPMI, Alfredo Gaspar

A coordenadora rebateu os dados e afirmou que muitos dos segurados que contestaram as cobranças continuaram usando os serviços da entidade. “Por que 15 mil deles me deram procuração para ações coletivas? Por que 8 mil usaram as colônias de férias? Por que 45 mil usaram 320 mil vezes as farmácias com desconto do sindicato?”, perguntou.

Gaspar também citou que o Sindnapi arrecadou R$ 599 milhões entre 2016 e 2023 e que o último Acordo de Cooperação Técnica (ACT) foi assinado em novembro de 2023 com André Fidelis, servidor do INSS apontado pela Polícia Federal como integrante de organização criminosa.

Tonia confirmou ter se reunido com Fidelis. “Provavelmente foi em 2023, mas não tenho certeza absoluta”, disse. O relator destacou ainda que os dados da CGU mostram que, de 262 mil benefícios contestados, 96,8% não reconheceram as autorizações para desconto.

Segundo Gaspar, o número de filiações também chama atenção: o Sindnapi passou de 170 mil para 420 mil filiados em 2020 e registrou 67 mil novas inclusões em julho de 2023, uma média de 3,2 mil por dia útil.

As entidades associativas ligadas ao INSS arrecadaram R$ 2 bilhões em um ano por meio de mensalidades de aposentados, enquanto acumulavam milhares de ações judiciais por fraudes nas filiações. Documentos da investigação apontam ainda que dirigentes do Sindnapi recebiam comissões sobre cada desconto — entre eles, o marido de Tonia, Carlos Afonso Galleti Junior.

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