Correios alertam governo que podem precisar de dinheiro para evitar crise - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Correios alertam governo que podem precisar de dinheiro para evitar crise

Correios Prejuízo
Ministério da Fazenda considera aporte para ajudar na recuperação dos Correios.

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Por Isac Mascarenhas

Governo teme que empresa seja incorporada ao orçamento da federal em meio à crise fiscal

Os Correios alertaram o governo Lula sobre a possibilidade de necessitarem de um aporte de recursos da União para melhorar sua situação financeira e evitar um colapso no caixa. O aviso foi dado primeiramente ao ministro Fernando Haddad (Fazenda) e, depois, a outros membros do Executivo em uma reunião na Casa Civil, ocorrida em 16 de junho.

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A equipe econômica, por enquanto, indica que não há espaço no Orçamento para tal injeção de recursos. No entanto, técnicos do governo reconhecem a delicadeza da situação da empresa e admitem que um socorro financeiro pode se tornar inevitável.

Em cenários mais pessimistas, a companhia precisaria de um auxílio de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões para estabilizar suas finanças, sendo que, somente para este ano, a necessidade pode girar em torno de R$ 2 bilhões.

A insatisfação do governo com o ritmo dos ajustes implementados pela atual gestão dos Correios tornou-se pública nos últimos dias. Conforme noticiado pela Folha, o presidente da companhia, Fabiano Silva dos Santos, relatou a diretores estar sob forte pressão da Casa Civil para intensificar os cortes de despesas e deve colocar o cargo à disposição.

Sob a administração do governo petista, os Correios têm acumulado uma sequência de prejuízos crescentes. A empresa passou de um resultado negativo de R$ 633,5 milhões em 2023 para um prejuízo de R$ 2,6 bilhões no ano passado. Apenas no primeiro trimestre de 2025, a companhia registrou um saldo negativo de R$ 1,7 bilhão, mais que o dobro do prejuízo no mesmo período de 2024 (R$ 801,2 milhões).

Em uma reunião de 16 de junho, o presidente dos Correios apresentou dados financeiros e cenários de fluxo de caixa que indicavam a necessidade de aporte. O diagnóstico aponta que o cenário, já preocupante em 2025, deve se agravar no próximo ano, com o peso das parcelas de financiamentos contratados.

A estatal enfrenta uma queda nas receitas enquanto as despesas continuam subindo. Para tentar reequilibrar as contas, a companhia iniciou a venda de imóveis e criou um Programa de Demissão Voluntária (PDV), além de tentar diversificar receitas com o lançamento de um marketplace.

Mesmo assim, utilizou grande parte de seu caixa para cumprir obrigações e agora tem recorrido a empréstimos de curto prazo. Dados do Banco Central indicam que os Correios já contrataram R$ 1,8 bilhão em novos financiamentos neste ano, junto a instituições como Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil, sem garantia explícita do Tesouro Nacional.

Os Correios negociam com Banco do Brics um empréstimo de R$ 3,8 bilhões em cinco anos para “modernização”. Por ser uma operação externa, ela exige o aval formal da União. Se negado a negociação, um aporte ainda maior pode ser pedido.

Apesar das resistências da Fazenda, a injeção direta de recursos da União na empresa é considerada por defensores como uma solução menos prejudicial diante da gravidade da situação. O principal temor no governo é que os Correios, atualmente independente, continuem perdendo receitas. Nesse cenário, a empresa seria incorporada ao Orçamento Federal, tendo despesa anual de cerca de R$ 20 bilhões, em um momento de dificuldades para acomodar outros gastos.

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