Conversas atribuídas a Cid por Instagram impulsionam pedido de anulação da delação; entenda - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Conversas atribuídas a Cid por Instagram impulsionam pedido de anulação da delação; entenda

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O advogado Eduardo Kuntz, que defende o coronel da reserva Marcelo Câmara, informou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que manteve conversas com o tenente-coronel Mauro Cid pelo Instagram entre janeiro e março de 2024. As mensagens foram trocadas durante o período em que Cid estava proibido de usar redes sociais.

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As conversas ocorreram pelo perfil @gabrielar702 e foram anexadas ao processo em uma ata notarial de 51 páginas, apresentada como “defesa prévia”. O documento traz capturas de tela e áudios atribuídos a Cid, nos quais o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro reclama de pressões da Polícia Federal e nega ter usado a palavra “golpe” em seus depoimentos.

LEIA AQUI A ÍNTEGRA DOS PRINTS

Várias vezes eles queriam colocar palavras na minha boca… E eu pedia para trocar”, escreveu Cid.

Eles toda hora queriam jogar para o lado do golpe. E eu falava para trocar pq não era aquilo que tinha dito.”

A defesa de Câmara usou as mensagens para pedir a anulação da colaboração premiada de Cid com a PF, por “absoluta falta de voluntariedade”. A argumentação também foi incorporada pelos advogados de Bolsonaro e de Walter Braga Netto.

A delação de Cid é um dos principais elementos da acusação que investiga uma suposta trama para impedir a posse de Lula. Durante interrogatório no STF, na semana passada, Cid negou ter usado redes sociais no período das restrições. Questionado pelo advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, se conhecia o perfil @gabrielar702, respondeu: “Esse perfil, eu não sei se é da minha esposa.”

Moraes determinou à Meta, controladora do Instagram, que envie ao STF todos os dados, mensagens e registros do perfil entre maio de 2023 e junho de 2025.

Em outras mensagens enviadas a Kuntz, Cid se refere ao delegado da PF Fábio Shor como “carreirista” e afirma que ele tenta conduzir os interrogatórios com objetivos políticos.

É esperto… não é burro… sabe interrogar… sabe tentar te conduzir para onde ele quer chegar.

O militar também opinou sobre a atuação dos ministros do STF: “AM e Barroso são os mentores… Gilmar é o articulador… AM é o cão de ataque… O Barroso é o iluminista pensador… quem executa é o AM… como um CEO de uma empresa.

Kuntz relatou ter recebido contato inicial pelo Instagram no dia 29 de janeiro. Para se identificar, o interlocutor enviou uma selfie fazendo sinal de positivo. O advogado diz ter mantido o diálogo “por cautela”, sem saber se era alvo de operação controlada.

As mensagens também sustentam a tese de que Cid quebrou o dever de confidencialidade ao discutir aspectos da colaboração com terceiros, o que pode anular os efeitos jurídicos da delação.

O material foi revelado inicialmente pela revista Veja e confirmado por este site, ele chegou a ser mencionado por Vilardi durante a oitiva de Cid no STF. O conteúdo das conversas deve ser analisado pela Corte. A Meta ainda não respondeu oficialmente à determinação judicial.

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