Cid nega ter falado “golpe” em depoimento à PF; entenda pedido de anulação da delação - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Cid nega ter falado “golpe” em depoimento à PF; entenda pedido de anulação da delação

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou em áudio que não usou a palavra “golpe” durante seu depoimento à Polícia Federal. Mensagens divulgadas pela revista Veja, e confirmadas por este site, revelam prints de conversas atribuídas a Cid em um perfil anônimo no Instagram.

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Cara, vou te dizer, esse troço está entalado, cara. Está entalado. Você vê que o cara botou a palavra golpe, cara. Eu não falei uma vez a palavra golpe”, disse Cid no áudio. E continuou: “Eu não falei golpe uma vez em todo o meu depoimento”.

Os áudios teriam sido enviados pelo perfil @gabrielar702, que, segundo a defesa, foi usado para conversas durante o período em que Cid estava proibido de utilizar redes sociais por decisão do STF. O advogado Eduardo Kuntz, defensor de um dos réus da ação penal, informou ao ministro Alexandre de Moraes ter mantido contato com Cid pela conta.

A defesa de Cid nega a autenticidade das mensagens atribuídas ao militar. Já os advogados de Bolsonaro pediram ao STF a anulação da delação premiada, alegando falta de credibilidade das declarações feitas por Cid e solicitando que a Meta forneça dados detalhados do perfil, como histórico de acesso e conteúdo completo.

Várias vezes eles queriam colocar palavras na minha boca…E eu pedia para trocar. Foram três dias seguidos. Um deles foi naquela grande depoimento sobre as joias. Acho que foram 5 anexos. Eles toda hora queriam jogar para o lado do golpe. E eu falava para trocar pq nao era aquilo que tinha dito. E eu fui bem claro lá… Pr [presidente, Jair Bolsonaro] nao iria dar golpe nenhum… Ele estava mal….Ele queria encontrar uma fraude nas urnas….De forma oficial pelo partido. Muita gente estava tentando ajudar a encontrar uma fraude. Queria sempre me conduzir a falar a palavra golpe. Tanto que tive o cuidado de nao usar essa palavra“, conta Cid em print obtido por este site.

Durante interrogatório, o advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, questionou Cid sobre o perfil. O militar negou conhecimento sobre as conversas e disse não saber se a conta era administrada por sua esposa: “Gabriela é o nome da minha esposa, mas eu não sei se esse é o perfil dela”.

Na sexta-feira (13), Moraes determinou que a Meta forneça os dados cadastrais e mensagens trocadas pelo perfil @gabrielar702 nos últimos dois anos. A empresa ainda não atendeu à solicitação.

A defesa de Bolsonaro também pediu mais prazo para apresentar requerimentos de diligências, alegando necessidade de analisar as mensagens antes de formular os pedidos. Os advogados propuseram uma nova ordem processual: primeiro a manifestação da PGR, depois da defesa de Cid, e por fim, dos demais réus. Até o momento, apenas a defesa do almirante Almir Garnier apresentou pedido.

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