Conafer recebeu depósitos em espécie no Nordeste, aponta Coaf
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Conafer recebeu depósitos em espécie no Nordeste, aponta Coaf

presidente da CPMI - INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG); e o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Redação

Entidade investigada na CPI do INSS movimentou R$ 797 milhões; defesa nega irregularidades

A Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares do Brasil (Conafer), investigada no suposto esquema de descontos ilegais em aposentadorias, recebeu depósitos em espécie no Piauí e em Pernambuco e quitou boletos de terceiros, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à CPI do INSS.

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O documento aponta que a entidade movimentou R$ 797 milhões entre 2022 e 2025. Parte dessas transações foi classificada como suspeita.

Entre os registros, técnicos identificaram depósitos de pequenas quantias, entre R$ 300 e R$ 600, feitos em lotéricas de cidades do interior nordestino, como Pedra (PE) e Cabeceiras do Piauí (PI). As operações ocorreram “longe do domicílio da titular, Brasília (DF)”.

O relatório também mostra que a Conafer quitou boletos de terceiros no valor de R$ 552 mil apenas entre junho de 2024 e maio de 2025. “Há valores fragmentados e próximos ao limite para registro dos portadores de transação em espécie, sugerindo burla à identificação da origem e destino dos recursos”, diz o texto.

Como exemplo, o Coaf cita 14 pagamentos de R$ 2 mil cada à empresa Solution Serviços, em 13 de junho de 2024. A empresa pertence ao contador da Conafer, Samuel Chrisóstomo Junior, também dono da Expresso Publicidade, que recebeu outros R$ 11,3 mil entre 2022 e 2023.

Segundo dados apresentados na CPMI, entre 2019 e 2024 a Conafer arrecadou R$ 688 milhões em descontos associativos de mais de 620 mil beneficiários do INSS, incluindo pessoas já falecidas e até crianças.

Presidente da Conafer na CPMI

Durante depoimento à CPMI, o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, permaneceu em silêncio sobre esses repasses e disse desconhecer a resposta para a maioria das acusações e questionamentos feitos pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

A defesa da entidade nega movimentações atípicas e afirma que a Conafer atuava em mais de 3 mil municípios com 1,2 mil funcionários, demitidos após as investigações.

Em audiência da CPMI, Gaspar questionou Lopes sobre um suposto padrão da Conafer de enviar fichas de adesão com assinaturas de pessoas que já haviam morrido, com o número de “ressuscitados” chegando a 2.083 em 2023.

“Em 2024, a Conafer foi obrigada pela CGU [Controladoria-Geral da União] a mandar 100 fichas para conferência das regularidades das adesões. O senhor mandou a ficha da dona Maria Rodrigues. Ela já tinha morrido há cinco anos e fez uma assinatura. Esse padrão se repetiu mais de 300 vezes pela Conafer”, afirmou Gaspar. “O Gilberto morreu há 20 anos, mas assinou. É padrão da Conafer ressuscitar mortos para assinatura de descontos associativos?”, questionou.

Carlos Lopes ironizou: “É padrão do INSS ter defunto recebendo benefício? Se o morto tiver recebendo benefício, sim”.

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