Estadão aponta integrantes do Instituto Lula, Fundação do PT e centrais sindicais
Uma rede articulada pelo PT para abastecer influenciadores com conteúdos políticos extremistas conta com membros do Instituto Lula, da Fundação Perseu Abramo e de sindicatos. O material inclui vídeos com inteligência artificial que atacam opositores e é distribuído por meio de grupos coordenados por técnicos ligados ao partido, segundo apuração do Estadão.
O jornal diz que a estratégia envolve o envio de briefings específicos e conteúdos pré-formatados para militantes digitais. Embora os responsáveis neguem direcionamento para ataques personalizados, os vídeos chamam a família Bolsonaro de “gangue” e classificam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como “cúmplice” do tarifaço imposto pelos EUA.
O grupo nega ligação com campanhas como “Hugo Não se Importa” ou “Congresso da Mamata”, que atacam diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Também afirmam que não há pagamento a influenciadores.
Apesar disso, integrantes da rede confirmam a existência de encontros fechados com influenciadores alinhados ao governo Lula. Os nomes dos participantes e os conteúdos discutidos nesses encontros não são divulgados.
A campanha “Pode Espalhar”, usada para coordenar a distribuição, é gerenciada pela agência Caê Comunicação, da publicitária Martha Romano, ex-sócia de Otávio Antunes, responsável pela comunicação oficial do partido. A agência atua por meio de contratos com sindicatos e fundações, sem passar diretamente pela contabilidade do partido.
A estrutura disponibiliza vídeos, cards e textos prontos para plataformas como WhatsApp e X (ex-Twitter). Alguns dos grupos são administrados por Ana Flávia Marx, diretora do Instituto Lula e estrategista digital da legenda.
O Instituto Lula repete o modelo usado em 2022, quando organizou conteúdo de campanha durante as eleições. A entidade se apresenta como “independente de partidos”, mas lidera a frente de comunicação digital petista. Ana Marx nega ataques pessoais. Em nota, o PT e a Perseu Abramo alegam que a campanha busca fortalecer a militância com “conteúdo, estratégia e formação”.
A ofensiva foi reforçada após o anúncio da tarifa de 50% dos EUA contra o Brasil. Em resposta, o PT lançou vídeos que associam Bolsonaro e Tarcísio à medida e convocam seguidores a “defender o Brasil”.
Os vídeos simulam diálogos com uso de inteligência artificial e adaptam a linguagem para redes como o WhatsApp. Em uma das peças, o narrador afirma: “Bolsonaro e sua turma são os verdadeiros traidores da pátria”.
As peças usam as cores nacionais e slogans como “Defenda o Brasil”. Em um dos trechos, os vídeos dizem: “usaram nossa bandeira como fantasia para esconder traição, mentira, submissão”.
Entre os influenciadores envolvidos está Thiago dos Reis (PT), que já acumula mais de 1 bilhão de visualizações. Ele compartilhou vídeo com inteligência artificial em que “trabalhadores” acusam os “bolsominions” de querer “quebrar o País” para “livrar o golpista da cadeia”. Reis também é réu em processos por calúnia.
O presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, disse que a rede se propõe a “politizar a sociedade”, sem atacar nomes. Segundo ele, críticas ao Congresso surgem de forma espontânea na internet. “Eu não faria, mas não vou falar para o cara não fazer”, disse Okamotto.
Ele também negou envolvimento da fundação nos vídeos com críticas a Hugo Motta. “Isso enche o saco do Hugo Motta, mas não politiza”.
