Depoimentos rápidos e negações de tentativa de golpe marcaram oitivas
O STF conduziu nesta semana as oitivas das testemunhas de defesa de Jair Bolsonaro, acusado de planejar um “golpe de Estado”. As audiências foram marcadas pelo silêncio de Alexandre de Moraes, pela rapidez dos depoimentos e negação da narrativa de golpe apresentada pela PGR.
Nesta sexta-feira (30), Moraes adotou uma postura mais amena com as testemunhas do ex-presidente. Em relação a Tarcísio de Freitas, ele se manteve em silêncio, jogando a responsabilidade de questionar a Paulo Gonet (que também se manteve quieto) e aos advogados de defesa. Essa mesma conduta se repetiu com as demais testemunhas ouvidas.
Ex-ministro da Infraestrutura na gestão anterior, Tarcísio é apontado pela PGR como convidado da reunião em que a “minuta do golpe” foi apresentada. Contudo, apesar da expectativa, sua oitiva durou menos de 10 minutos.
Já a fala de Jonathas Assunção Salvador Nery, o número 2 da Casa Civil em 2022, se estendeu por apenas cinco minutos. Ao todo, os três indicados da tarde desta sexta falaram por 26 minutos.
Apesar da brevidade de seus depoimentos, todas as testemunhas convergiram para um único ponto: não houve discussão sobre golpe de Estado. Tarcísio e Renato Lima França, consultor jurídico de Bolsonaro, negaram qualquer reunião para reverter o resultado das eleições. Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil, e Jonathas Salvador Nery, confirmaram que a transição de governo sequer foi alvo de tentativas de obstrução.
De 15 testemunhas escolhidas, apenas nove foram ouvidas. A equipe de defesa dispensou seis convidados, mas não justificou a desistência. Na próxima segunda-feira (2), a última testemunha, Rogério Marinho, deve fechar os depoimentos da ação penal.
