A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou hoje (10) que a proposta de extinção da escala 6×1 pode gerar efeitos sobre o mercado de trabalho, incluindo aumento da informalidade e elevação dos custos para empresas.
Em entrevista ao SBT News, o presidente do Conselho de Relações do Trabalho da entidade, Alexandre Furlan, defendeu que a discussão sobre redução da jornada de trabalho seja conduzida de forma técnica e considere as particularidades de cada setor da economia.
“O tema é legítimo, mas ele não podia e não pode ser tratado da forma simplista como ele está sendo”, afirmou.
Segundo Furlan, uma regra única para todos os segmentos produtivos não leva em conta diferenças operacionais, níveis de produtividade e estruturas de custos entre setores como indústria, comércio, serviços, agricultura e saúde.
“Você tem indústria que trabalha de uma forma, comércio, serviço, agricultura, saúde, cada um desses segmentos econômicos têm necessidades operacionais, têm níveis de produtividade e tem estrutura de custos muito distintos. Então o que a gente tá achando é que, na verdade, estão vendendo o gato por lebre”, declarou.
O representante da CNI também criticou a condução do debate no Senado e afirmou que a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ocorre sob influência de articulações políticas.
Na avaliação da entidade, alterações amplas na jornada de trabalho podem pressionar o custo das empresas e provocar mudanças no mercado formal de emprego.
“Vai acarretar o que nós temos visto já no brasil, que é uma migração ainda maior para a informalidade”, disse.
Durante a entrevista, Furlan também comentou a proposta alternativa apresentada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que prevê um modelo mais flexível para definição da jornada de trabalho.
Segundo ele, mecanismos baseados em negociação coletiva permitiriam maior adaptação às realidades específicas de cada atividade econômica.
“Com essa PEC, que foi apresentada pelo senador Rogério Marinho, é muito mais fácil você adaptar essas circunstâncias que são distintas. Óbvio que o objetivo deve ser sempre conciliar o bem-estar dos trabalhadores, mas com crescimento econômico, competitividade das empresas”, afirmou.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou força no Congresso nas últimas semanas e tem mobilizado setores empresariais, centrais sindicais e lideranças políticas em torno dos possíveis impactos da medida sobre a economia e o mercado de trabalho.
