O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou ontem (23) que o governo Lula (PT) deve agir com cautela antes de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos e priorizar as negociações com Washington após o anúncio das novas tarifas.
A declaração foi dada após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Segundo Alban, a estratégia mais adequada é preservar o diálogo e construir uma política permanente para ampliar a presença da indústria brasileira no mercado internacional.
Ao comentar a nota divulgada ontem pelo governo sobre a Lei da Reciprocidade Econômica, o presidente da CNI ressaltou que o início dos procedimentos previstos na legislação não significa que as medidas serão adotadas de forma imediata.
“O que nós não queremos criar é decisões precipitadas que propiciem mais problemas do que soluções”, afirmou o presidente da CNI.
Alban também defendeu o uso de mecanismos de defesa comercial, desde que sejam avaliados os impactos para as cadeias produtivas e mantido espaço para uma solução negociada.
Para ele, será necessário adotar medidas emergenciais de apoio às empresas. O governo federal já anunciou, na quarta-feira (22), uma linha de financiamento destinada aos setores atingidos pelas tarifas anteriores, de 25%.
O presidente da CNI afirmou que ainda é preciso detalhar como será aplicada a nova tarifa de 12,5%, identificando os setores atingidos, os produtos eventualmente isentos e a possibilidade de incidência cumulativa com outras cobranças impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Alban, será criado um grupo de trabalho para reunir os segmentos mais afetados e buscar mercados alternativos para as exportações brasileiras. Alertou ainda que, caso as novas tarifas sejam somadas às já existentes, a competitividade da indústria nacional ficará ainda mais comprometida.