Durante o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o chamado “núcleo 3”, nesta terça-feira (20), o advogado Jeffrey Chiquini, que representa o tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo, criticou a atuação da Polícia Federal (PF) e da própria PGR. Chiquini classificou o relatório final da PF como uma “farsa” e afirmou que os investigadores estariam tentando induzir o Supremo Tribunal Federal (STF) ao erro.
“Excelências, conseguimos demonstrar e provar que o relatório final da Polícia Federal é uma farsa. A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República tentam induzir essa corte a erro. Erro”, afirmou.
O advogado dirigiu-se diretamente aos ministros da Corte ao contestar os elementos apresentados contra seu cliente.
“Ministro Flávio Dino, na investigação eu provei que meu cliente não estava no dia e no local, que a ficção criativa da Polícia Federal disse que ele estava”, afirmou.
Dirigindo-se ao relator da ação, ministro Alexandre de Moraes, Chiquini contestou uma das principais acusações atribuídas a Rodrigo Bezerra.
“Rodrigo Bezerra de Azevedo equivocadamente foi colocado às proximidades da vossa residência, não era ele. Se aquele fato aconteceu, Ministro Alexandre de Moraes, o verdadeiro criminoso está solto”, disse.
Chiquini também apontou contradições entre os dados apresentados pela PF e informações coletadas pela defesa, com base em registros da Apple.
“Aquela data, aquele dia, aquele horário era aniversário do Tenente Coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo. A Procuradoria Geral da República, a Polícia Federal desconsiderou a prova, ministro Zanin, que nós da defesa tivemos que com muito esforço conseguir. Nuvem do iPhone”, explicou.
E concluiu dizendo que será necessário provar que os sistemas de Apple são falhos.
“Agora a Polícia Federal e a PGR vão ter que dizer que a Apple mente. A Apple que mente. A Polícia Federal fala a verdade sem documento e a Apple mente”.
O tenente-coronel Rodrigo Bezerra é um dos 12 investigados do “núcleo 3”, formado majoritariamente por militares acusados de participar de um suposto plano de golpe de Estado em 2022. Com a aceitação da denúncia pelo STF, foi instaurada a ação penal contra 10 dos denunciados, Bezerra entre eles, com exceção de dois nomes cujas denúncias foram rejeitadas.
