Certidão de nascimento derruba juiz falso após 23 anos de fraude no Judiciário - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Certidão de nascimento derruba juiz falso após 23 anos de fraude no Judiciário

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Por Redação

O ex-juiz José Eduardo Franco dos Reis viveu mais de duas décadas sob uma identidade forjada, assinando sentenças como se fosse um legítimo lorde britânico. A farsa desmoronou em outubro de 2024, quando ele tentou renovar o RG no Poupatempo, em São Paulo. Ao apresentar uma certidão de nascimento com dados reais, o sistema cruzou as informações e identificou a fraude.

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A revelação expôs uma trajetória que parecia roteiro de filme. “Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield” era o nome pomposo que ele usava. Segundo a Polícia Civil, José Eduardo criou uma “vida de mentiras”, sustentada com documentos falsos e uma atuação calculada dentro da magistratura.

“Falava com sotaque britânico e usava trejeitos típicos para reforçar o personagem”, relatou um colega de tribunal à imprensa. A teatralidade convenceu não apenas colegas, mas também o Estado, que lhe concedeu cargo, salário e poder. A fraude só veio à tona 23 anos depois, escancarando a fragilidade nos sistemas públicos de controle e registro.

José Eduardo estudou Direito na USP e passou no concurso para juiz em 1995. Durante todo esse tempo, atuou com autoridade, emitindo decisões e comandando audiências sob identidade falsa. A Justiça, agora, precisa lidar com o risco de invalidação de todos os atos assinados por ele — uma crise que pode comprometer anos de processos.

A Polícia Civil informou que o ex-magistrado voltou ao Poupatempo dias depois da solicitação, esperando receber o novo RG. Mas foi encaminhado ao Instituto de Identificação, onde foi notificado sobre a investigação por falsidade ideológica, uso de documento falso e fraude em concurso público. A denúncia foi aceita e ele virou réu.

Na última sexta-feira (4), o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o pagamento da aposentadoria do juiz. José Eduardo, no entanto, está foragido. “Ele precisa ser localizado para responder à Justiça”, disse um dos investigadores.

A farsa sobreviveu por anos à sombra da burocracia e da falta de fiscalização — mais um retrato do sistema aparelhado, onde a impunidade alimenta carreiras inteiras forjadas em papel timbrado e silêncio institucional.

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