Governador e ministro criam Escritório Emergencial no estado
Em coletiva agora há pouco (29), o governador Cláudio Castro e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciaram uma cooperação entre o governo do Rio de Janeiro e o governo federal para enfrentar o crime organizado. A medida foi anunciada após a megaoperação policial que resultou na morte de mais de 100 suspeitos.
“Tivemos um diálogo importante. Se o problema é nacional, o Rio de Janeiro é um dos principais focos. Daqui saiu uma proposta concreta: a criação de um Escritório Emergencial de Enfrentamento ao Crime Organizado”, disse o governador Cláudio Castro.

Segundo o governador, o governo federal ofereceu apoio imediato com a criação de um Escritório Emergencial para o enfrentamento ao crime organizado, além de ações conjuntas com a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
“A ideia é que nossas ações sejam 100% integradas a partir de agora, inclusive para vencermos possíveis burocracias. Vamos integrar inteligências, respeitar as competências de cada órgão, mas pensando em derrubar barreiras para, de fato, fazer segurança pública”, afirmou Castro.
O ministro Ricardo Lewandowski afirmou que será ampliado o efetivo federal no estado e intensificadas as operações de inteligência. Segundo ele, o Escritório Emergencial não será permanente, mas permitirá decisões rápidas até a superação da crise.
“Colocamos à disposição do governador e das autoridades de segurança peritos criminais que podem ser mobilizados pela Força Nacional e também de outros estados. Médicos legistas, odontólogos, peritos. Também temos bancos de dados no que diz respeito a DNA, balística, tudo isso estamos colocando à disposição do governador”, disse o ministro.

A operação, realizada na terça-feira (28), é considerada a maior da história do Rio de Janeiro. A ação teve como foco o combate à expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e a prisão de lideranças criminosas que atuam dentro e fora do estado. As forças de segurança tentam cumprir 100 mandados de prisão, sendo 30 em outros estados, principalmente no Pará.
Segundo a Secretaria de Segurança, foram contabilizados 119 mortos, 113 presos — 33 de outros estados — e 10 menores apreendidos. Os agentes recolheram 118 armas, incluindo 91 fuzis, além de explosivos e drogas.
O confronto durou mais de 12 horas e também deixou três moradores feridos por balas perdidas. Na manhã seguinte, corpos foram encontrados e enfileirados na Praça São Lucas, no Complexo da Penha. O líder comunitário Raull Santiago relatou que moradores sentiram “cheiros de pessoas mortas” pela comunidade e descreveram cenas de desespero em várias partes da favela.
