Caminhoneiros ameaçam greve se Senado não votar MP do Frete
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Brasil

Caminhoneiros ameaçam greve se Senado não votar MP do Frete

Medida provisória perde a validade em 16 de julho e lideranças da categoria pressionam o Senado para analisar o texto na próxima terça-feira

Caminhoneiros articulam greve nacional contra alta do diesel
Foto: Thomaz Silva/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O risco de a Medida Provisória nº 1.343/2026 perder a validade em 16 de julho levou lideranças dos caminhoneiros autônomos a discutir uma paralisação nacional para pressionar o Senado a votar a proposta. Entidades da categoria organizam assembleias nos próximos dias e avaliam iniciar o movimento já na segunda-feira (13), caso o texto permaneça fora da pauta.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A expectativa é que a proposta seja analisada pelo Senado na próxima terça-feira (14). Se sofrer alterações, contudo, precisará retornar à Câmara dos Deputados antes do fim do prazo constitucional, o que pode inviabilizar sua aprovação.

Zé Trovão faz apelo ao Senado

Relator da matéria na Câmara, o deputado federal Zé Trovão pediu que os senadores aprovem o texto sem mudanças.

Ainda em recuperação de uma cirurgia para retirada de um tumor na garganta, o parlamentar afirmou acompanhar a tramitação da proposta diariamente.

“Faço um apelo aos senadores da República: não abandonem os caminhoneiros brasileiros. Essa medida provisória foi construída ouvindo quem vive da estrada e quem conhece de perto os desafios do transporte de cargas no Brasil. Tenho confiança na sensibilidade do Senado para compreender a importância dessa matéria e permitir que ela se transforme em uma conquista definitiva para esses profissionais que movimentam a economia brasileira pelas estradas.”

Segundo Zé Trovão, permitir que a MP perca a validade significaria desperdiçar meses de negociação entre caminhoneiros, transportadores, cooperativas, setor produtivo e governo.

“Não estamos falando apenas de uma Lei. Estamos falando de valorizar quem trabalha, de fortalecer a concorrência leal e de oferecer mais segurança jurídica para toda a cadeia do transporte rodoviário de cargas.”

As lideranças dos caminhoneiros também intensificaram a cobrança ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela pauta de votações da Casa.

O texto chegou a ser esperado para votação nesta semana, mas não foi incluído na ordem do dia.

O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, conhecido como Chorão, responsabilizou Alcolumbre pelo risco de a medida perder a validade.

“Presidente Davi Alcolumbre, o senhor não queira deixar a MP 1.343 caducar. O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome.”

A categoria também busca mobilizar sindicatos de diferentes regiões do país. O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos da Baixada Santista avalia convocar assembleia, com expectativa de adesão de caminhoneiros ligados aos principais portos brasileiros.

O que muda na MP

Enviada pelo governo ao Congresso em março, a medida provisória amplia os mecanismos de fiscalização do piso mínimo do frete e endurece as penalidades para empresas que descumprirem a tabela.

Entre as principais mudanças estão:

  • fortalecimento da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT);
  • atualização periódica da tabela do frete;
  • ampliação da transparência das operações de transporte;
  • modernização do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT);
  • regras mais rígidas para empresas reincidentes no pagamento abaixo do piso.

O texto também prevê o cancelamento automático do CIOT quando houver indícios de pagamento inferior ao piso e estabelece sanções ao Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC) para empresas reincidentes.

Câmara alterou proposta

Durante a tramitação na Câmara, Zé Trovão promoveu alterações para ampliar o apoio ao projeto.

A multa máxima por descumprimento do piso caiu de R$ 10 milhões para R$ 1 milhão. Também foram flexibilizados os critérios para suspensão do RNTRC, exigindo quatro autuações em seis meses para aplicação da penalidade.

O relatório ainda incluiu dispositivos solicitados por representantes da categoria, entre eles a previsão de anistia para multas aplicadas a caminhoneiros e transportadores que participaram de bloqueios de rodovias em 2022.

Outros trechos, porém, foram retirados durante a tramitação. O governo solicitou a exclusão de incentivos fiscais para contratação de transportadores autônomos, alegando impacto nas contas públicas. Também foram retirados dispositivos considerados inconstitucionais pela comissão mista, relacionados à operação de postos de combustíveis por cooperativas e à criação de mecanismos de auxílio mútuo entre transportadores.

Sem votação até 16 de julho, a medida provisória perderá a validade, encerrando sua tramitação no Congresso. Lideranças da categoria afirmam que, caso isso ocorra, a possibilidade de uma paralisação nacional continuará em discussão.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade