Direita tenta adiar votação do PL das Big Techs para após as eleições
Brasília, Sexta, 10 de julho de 2026
Política

Direita tenta adiar votação do PL das Big Techs para após as eleições

Oposição resiste à análise antes do recesso, enquanto relator articula aprovação do projeto ainda em julho

Plenário Câmara dos Deputados
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Parlamentares da oposição defenderam durante reunião de líderes da Câmara dos Deputados, que a votação do Projeto de Lei dos Mercados Digitais, conhecido como PL das Big Techs, fique para depois das eleições de outubro. O relator da proposta, deputado Aliel Machado (PV-PR), trabalha para levar o texto ao plenário antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 17 de julho.

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A versão final do projeto foi protocolada nesta semana. Apesar disso, Aliel afirmou que o texto ainda pode receber ajustes e informou que continuará negociando com líderes partidários para tentar construir um acordo que permita a votação nos próximos dias.

A proposta é considerada prioritária pelo governo federal e conta com apoio da equipe econômica, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Cade ganha novas atribuições

O projeto amplia os poderes do Cade para fiscalizar a atuação das grandes plataformas digitais e analisar previamente práticas consideradas capazes de afetar a concorrência no mercado brasileiro.

Entre as empresas alcançadas pela proposta estão Google, Meta, Microsoft, Amazon, Uber, iFood e 99. Segundo o texto, o foco da medida está na regulação da concorrência e na prevenção da concentração econômica no ambiente digital.

Oposição aponta risco à liberdade de expressão

Deputados da oposição sustentam que o projeto pode abrir espaço para mecanismos que afetem a liberdade de expressão e ampliem a moderação de conteúdo nas plataformas digitais.

Já o relator argumenta que a proposta trata exclusivamente de questões concorrenciais e não altera regras relacionadas ao conteúdo publicado nas redes sociais.

A construção de um consenso também enfrenta resistência de representantes das empresas de tecnologia, que intensificaram a atuação junto ao Congresso durante a tramitação da proposta.

Sem acordo entre governo e oposição, a definição sobre a data da votação permanece em aberto. O relator mantém a articulação para que o projeto seja apreciado antes do início do recesso parlamentar, enquanto a oposição insiste em transferir a discussão para depois das eleições.

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