Câmara vota hoje urgência de PL que prevê intervenção nas big techs
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Câmara vota hoje urgência de PL que prevê intervenção nas big techs

Projeto do governo Lula cria Superintendência de Mercados Digitais no Cade e autoriza atuação preventiva nas big techs

PL e partidos do Centrão apoiaram reajuste do Legislativo
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

A Câmara dos Deputados vota nesta tarde (10), a partir das 16h, o pedido de urgência do PL 4.675/2025 (Req 4612/2025), que cria a Superintendência de Mercados Digitais no Cade para intervir nas big techs.

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Se a urgência for aprovada, o projeto, encaminhado ao Congresso pelo governo Lula (PT) no ano passado, poderá ser analisado diretamente no plenário da Casa, sem passar por comissões temáticas.

O Planalto sustenta que a proposta busca “prevenir práticas que prejudiquem a livre concorrência” e ampliar a transparência, o equilíbrio concorrencial, a liberdade de escolha e a redução de preços para consumidores e empresas.

No entanto, na prática, o PL autoriza o Cade a agir de forma preventiva e pontual sobre big techs como Instagram e Facebook, da Meta, e o X. O novo órgão poderá impor uma série de obrigações às plataformas consideradas de grande porte.

O texto amplia significativamente o poder de intervenção do Cade sobre o funcionamento das plataformas digitais em pleno ano eleitoral.

Entre as medidas previstas, o Cade poderá exigir que as big techs:

  • submetam previamente atos de concentração à análise do órgão;
  • divulguem informações claras sobre coleta e uso de dados, critérios de ranqueamento e estrutura de preços;
  • informem alterações nos termos de uso;
  • ofereçam ferramentas gratuitas de portabilidade de dados;
  • garantam interoperabilidade com serviços de terceiros;
  • permitam a instalação e o uso de aplicativos de terceiros;
  • assegurem acesso de usuários empresariais a dados e métricas de desempenho;
  • ofereçam opções para alterar configurações padrão;
  • estabeleçam prazos de adaptação a mudanças contratuais;
  • criem mecanismos eficazes para reclamações e disputas;
  • assegurem condições de acesso isonômicas e não discriminatórias.

O projeto também autoriza o Cade a proibir práticas consideradas “anticompetitivas”, como impedir a entrada de concorrentes, favorecer produtos próprios, condicionar a venda de serviços, restringir o acesso a informações empresariais relevantes, dificultar a venda direta por usuários empresariais e adotar estratégias predatórias ou abusivas.

Solenidade no Palácio do Planalto, em que, entre outras medidas, foi assinado o envio à Câmara do projeto para regulação concorrencial das big techs – Foto: Ricardo Stuckert/PR

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