Caça ao Centrão: Governo Lula corta emendas e cargos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Caça ao Centrão: Governo Lula corta emendas e cargos após derrota da MP Taxa Tudo

Após a derrota da MP que reajustaria o IOF, o governo Lula inicia série de exonerações de indicações do Centrão em órgãos como Caixa, Codevasf, Iphan e Dnit, atingindo PP, PSD, União Brasil e MDB Esplanada dos Ministérios, em Brasília - Foto: Ana Volpe/ Agência Senado
Após a derrota da MP que reajustaria o IOF, o governo Lula inicia série de exonerações de indicações do Centrão em órgãos como Caixa, Codevasf, Iphan e Dnit, atingindo PP, PSD, União Brasil e MDB Esplanada dos Ministérios, em Brasília - Foto: Ana Volpe/ Agência Senado

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Por Redação

Cortes atingem indicados do PP, PSD, União Brasil e MDB em cargos estratégicos

Após a derrota na Câmara com a derrubada da Medida Provisória que aumentaria o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o governo iniciou na sexta-feira (10) uma série de demissões de indicados políticos em cargos de segundo escalão. A medida atinge aliados de partidos como PP, PSD, União Brasil e MDB.

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A ação é tratada como retaliação à base governista que votou contra a MP ou se ausentou. “A partir do momento que as bancadas fecharam questão contra, dão o direito ao governo de fazer as mudanças que achar conveniente”, afirmou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

As exonerações envolvem cargos estratégicos na Caixa Econômica Federal, Codevasf, Iphan, DNIT e superintendências do Ministério da Agricultura. Os cortes foram articulados após a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, propor a Lula um “pente-fino” nas indicações políticas.

Até o momento, as indicações ligadas ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), permanecem preservadas, incluindo a presidência da Caixa, ocupada por Carlos Vieira.

Nos bastidores, a decisão foi amadurecida após a constatação de que parte do Centrão age em sintonia com a oposição em votações estratégicas. Lula, que está fora do país, teria autorizado uma reorganização da base “com quem quer estar junto”, segundo relatos de interlocutores.

Em comissão especial, medida provisória foi aprovada por 13 votos a 12. Parlamentares do PSD reclamam de represália após terem ajudado a aprovar o texto na comissão. — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Em comissão especial, medida provisória foi aprovada por 13 votos a 12. Parlamentares do PSD reclamam de represália após terem ajudado a aprovar o texto na comissão. — Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Deputados do Centrão reagiram à ofensiva nas redes sociais e alertaram que uma “caça às bruxas” pode paralisar votações no Congresso.

Emendas também são usadas como arma pelo governo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta manhã (14) que o governo pode reduzir mais de R$ 7 bilhões em emendas parlamentares no Orçamento de 2026. “Depende do cenário, tem cenários em que o orçamento fica preservado. Pode ser até mais dependendo do cenário”, declarou.

O encontro para tratar do tema deve ocorrer após o retorno de Lula de Roma, onde participou do Fórum Mundial da Alimentação.

Lula-Haddad
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na semana passada, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT), estimou o corte entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões. O Orçamento atual prevê R$ 52,9 bilhões em emendas.

Entre as alternativas em estudo estão a limitação de créditos tributários, aumento de tributos sobre casas de apostas e ajustes no IOF por decreto.

A MP derrotada na Câmara previa arrecadação de cerca de R$ 17 bilhões com a tributação de investimentos e apostas online. Após resistência de parlamentares, o texto foi retirado de pauta e perdeu validade.

As demissões começaram na semana passada e devem continuar nos próximos dias. Líderes bolsonaristas pretendem aproveitar a desorganização da base governista para impor novas derrotas ao Planalto e tentar avançar com o projeto de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos bastidores, o governo busca recompor sua base com foco nas eleições de 2026, priorizando apoio de parlamentares que devem se alinhar à candidatura de Lula, especialmente no Nordeste.

Membros do governo apoiam os cortes

O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA), defendeu nesta segunda-feira (13) a decisão do governo de exonerar indicados de partidos que votaram contra a Medida Provisória (MP) do IOF. A declaração foi feita após reunião com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, em Brasília.

“Eu particularmente penso que não dá para ser casado e ter vida de solteiro”, disse o ministro, ao comentar o comportamento de legendas que mantêm cargos no Executivo, mas votam contra matérias de interesse do governo.

Celso Sabino ignora ultimato do União Brasil e afirma que seguirá no Ministério do Turismo até 2026, com apoio de Lula e foco na COP30
Celso Sabino ignora ultimato do União Brasil e afirma que seguirá no Ministério do Turismo até 2026, com apoio de Lula e foco na COP30

A fala foi interpretada como um recado ao Centrão, que ampliou a pressão por mais espaço e recursos no governo, mesmo após contrariar o Planalto na votação da MP.

Sabino afirmou que continuará no cargo, apesar da pressão interna do União Brasil para que ministros do partido entreguem os postos. Ele justificou a permanência citando o compromisso com a realização da COP30, que ocorrerá em Belém (PA).

O ministro também confirmou que o União Brasil abriu um processo que pode resultar em sua expulsão. Disse, contudo, que buscará diálogo com a direção nacional. “Eu tenho feito apelo ao meu partido que compreendesse essa situação. Expliquei os projetos que estão em andamento”, afirmou.

Sabino ainda criticou a antecipação das discussões eleitorais: “Mostrei que não é o momento de falar sobre a eleição de 2026 ainda”.

O que diz o governo

O Palácio do Planalto sustenta que os cortes não configuram retaliação, mas uma medida de reorganização da base aliada. Segundo a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, a decisão busca distinguir quais parlamentares realmente apoiam o governo nas votações.

“Não se trata de uma simples retaliação. Queremos saber com quem podemos contar, quem realmente está com o governo”, afirmou Gleisi ao estadão.

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