A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi apresentou laudos médicos para contestar uma das acusações de importunação sexual contra o magistrado. Os documentos foram anexados ao processo que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) e apontam que Buzzi possui disfunção erétil de origem multifatorial, ausência de libido, hipogonadismo e ausência de ejaculação anterógrada. As informações são do portal Metrópoles.
Segundo o laudo, emitido em 6 de fevereiro de 2026, as condições clínicas indicariam comprometimento da função sexual masculina e não dariam respaldo à hipótese de “função sexual exacerbada”. O documento também cita histórico de cirurgia de próstata, diabetes, hipertensão e uso contínuo de medicamentos.
A defesa utiliza os exames para contestar o relato de uma jovem de 18 anos, que acusou o ministro de ter tentado agarrá-la durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC), em janeiro deste ano. De acordo com a denúncia, a jovem teria percebido contato físico durante a abordagem.
Os advogados afirmam que o quadro médico apresentado no laudo seria incompatível com a situação descrita pela denunciante. Além dos documentos de saúde, a defesa anexou ao processo o depoimento de uma testemunha que afirmou ter visto os dois no mar e disse não ter presenciado contato físico entre eles.
Em nota, a defesa de Buzzi afirmou lamentar “o vazamento de informações sigilosas dos autos que expõem aspectos pessoais das partes”. Os advogados também disseram que, desde o início da apuração, mantiveram uma postura respeitosa e não divulgaram documentos, laudos ou informações relacionadas às denunciantes.
Além da denúncia feita pela jovem, o ministro afastado também é investigado após uma acusação apresentada por uma ex-funcionária terceirizada que trabalhou em seu gabinete no STJ.
Caso tramita no STJ e no STF
Marco Buzzi está afastado cautelarmente do STJ desde fevereiro de 2026, quando o plenário da Corte decidiu, por unanimidade, suspender temporariamente o exercício das funções do magistrado.
Em abril, o STJ determinou a abertura de processo administrativo disciplinar contra Buzzi e manteve o afastamento até a conclusão da investigação. O procedimento apura as denúncias de importunação sexual e corre sob sigilo.
O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Nunes Marques abriu inquérito para investigar as acusações contra Buzzi após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação está sob segredo de Justiça porque ministros do STJ têm foro por prerrogativa de função.
A expectativa é que a análise do processo avance após o recesso do Judiciário, em agosto.
