Moraes dá 15 dias para PGR decidir sobre suposta calúnia de Flávio Bolsonaro contra Lula
Brasília, Segunda, 29 de junho de 2026
Política

Moraes dá 15 dias para PGR decidir sobre suposta calúnia de Flávio Bolsonaro contra Lula

PF concluiu que senador atribuiu falsamente crimes ao presidente em publicação nas redes sociais

Inquérito das fake news completa 7 anos no STF
Foto: Fellipe Sampaio /STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o inquérito em que a Polícia Federal (PF) concluiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu o crime de calúnia contra o presidente Lula (PT).

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Com o encerramento das investigações, caberá agora à PGR decidir se oferece denúncia contra o parlamentar, solicita novas diligências ou pede o arquivamento do caso. Após a manifestação do órgão, o processo retornará ao STF para nova decisão de Moraes.

A investigação teve origem em uma publicação feita por Flávio Bolsonaro no X, em janeiro deste ano, após a divulgação da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Na postagem, o senador escreveu:

“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…”

No relatório final enviado ao Supremo, a Polícia Federal concluiu que o parlamentar extrapolou os limites da liberdade de expressão ao atribuir, sem provas, a prática de crimes ao presidente da República. Para os investigadores, ao afirmar que Lula “será delatado”, Flávio fez referência ao instituto da colaboração premiada e vinculou o presidente aos crimes listados na sequência da publicação.

Segundo a PF, “tendo em vista o teor da postagem (…), fica claro que o senador afirma que a delação seria feita por Nicolás Maduro e que, no entendimento do senador, os crimes pelos quais o presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem”.

Com base nessa interpretação, a corporação indiciou Flávio Bolsonaro pelo crime de calúnia, com a agravante prevista no Código Penal para ofensas dirigidas ao presidente da República e divulgadas por meio de ampla repercussão, como as redes sociais.

Durante a investigação, a defesa do senador solicitou novas diligências, entre elas o depoimento de Lula, mas os pedidos foram rejeitados por Alexandre de Moraes.

Em manifestação apresentada ao STF, os advogados afirmaram que o inquérito foi concluído “em tempo recorde”, sem a realização de oitivas, perícias ou produção de provas documentais consideradas relevantes. A defesa também declarou haver “dúvidas legítimas” sobre a condução da investigação e disse esperar que “a instauração e a condução desse procedimento não tenham sido influenciadas por interesses políticos”.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade