Buzzi chama acusações de assédio de "fofoca de gabinete"
Brasília, Quinta, 23 de julho de 2026
Justiça

Buzzi chama acusações de assédio de “fofoca de gabinete”

Ministro afastado do STJ nega acusações, fala em "conluio" e contesta provas apresentadas no processo

Marco Aurélio Gastaldi Buzzi - Ministro do STJ é alvo de 2ª denúncia de importunação sexual
Foto: Emerson Leal/STJ

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Por Redação

O ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi classificou as acusações de assédio e importunação sexual apresentadas contra ele como “fofoca de gabinete”. A manifestação consta nas alegações finais da defesa, apresentadas no processo em que o magistrado responde às denúncias.

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Uma das acusações envolve uma ex-servidora do gabinete. Segundo a denúncia, Buzzi teria tocado as nádegas da funcionária em diferentes ocasiões, incluindo no corredor e dentro de sua sala.

Nas alegações finais, os advogados afirmam que não há testemunhas presenciais dos episódios relatados pela denunciante e sustentam que os depoimentos reproduzem apenas informações repassadas pela própria vítima.

“A questão repousa notadamente em definir qual será o valor probatório do disse-me-disse, da fofoca de gabinete, do burburinho dos corredores, do zum zum zum, que sendo comum em todos os ambientes corporativos e institucionais – a voz da cidade que ora apedreja ora exalta a Geni de Chico Buarque – se qualificam pela volatilidade e imprecisão e, ingressados na seara judiciária, colocam em xeque a própria possibilidade de contraditório e testa os limites do exercício da defesa forense.”

A defesa também declarou:

“Não há testemunhas diretas ou presenciais acerca dos eventos imputados pela denunciante. Os relatos dos servidores, sobre os episódios, são meras repetições do que ouviram da representante configurando fofocas e boatos de gabinete. Não deve ser reconhecido valor probatório a tais relatos indiretos, na medida em que apenas ecoam o relato vitimário.”

Ministro alega “conluio”

Os advogados de Buzzi afirmam ainda que o ministro seria alvo de um “conluio” relacionado às decisões proferidas em processos de grande repercussão no STJ.

Segundo a defesa, a mãe de uma das denunciantes, que atua como advogada, teria apresentado a acusação em represália a decisões do magistrado contrárias aos interesses de clientes que representava.

“A utilização das duas denúncias simultâneas serviu ao propósito de constranger publicamente o magistrado, que ostenta 44 anos de ilibada carreira, conhecido por suas decisões duras a bem dos consumidores em conflitos nos quais litigam contra bancos.”

A defesa também contestou os depoimentos prestados pelo pai de uma das denunciantes.

“[Eles] nada mais apontam do que o relato que – supõe-se – terem ouvido da própria vítima, o que se mostra absolutamente insuficiente para o grau de certeza que se exige para a condenação – e não apenas a criminal, mas também a que se afigura nos autos como verdadeira morte civil do acusado.”

Ministro está afastado

O Plenário do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por unanimidade, em 10 de fevereiro, afastar cautelarmente Marco Buzzi após as acusações de importunação sexual.

Segundo o tribunal, a medida tem caráter cautelar, temporário e excepcional. Durante o afastamento, o ministro permanece impedido de utilizar o gabinete, o veículo oficial e outras prerrogativas relacionadas ao exercício do cargo.

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