Brasil tem maior população sob domínio de facções na América Latina - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 16 de julho de 2026
Brasil

Brasil tem maior população sob domínio de facções na América Latina

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Por Redação

Entre 50 e 61 milhões de brasileiros vivem sob regras de facções criminosas

O Brasil lidera a América Latina no percentual de população vivendo sob regras impostas por facções criminosas, aponta estudo de quatro pesquisadores de universidades americanas publicado pela Cambridge University Press. Entre 50,6 e 61,6 milhões de brasileiros, cerca de 26% da população, estão submetidos à chamada governança criminal, que abrange as normas estabelecidas pelas organizações que controlam determinados territórios.

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A pesquisa utilizou dados da edição de 2020 da Latinobarómetro, levantamento anual de opinião em 18 países latino-americanos. Na região, entre 77 e 101 milhões de pessoas, ou 14% da população, vivem sob governança de facções. Depois do Brasil, os países com maior proporção são Costa Rica (13%), Honduras (11%), Equador (11%) e Colômbia (9%).

O estudo mostra que essas regras influenciam todos os aspectos da vida comunitária, desde eleições até o acesso a serviços públicos.

Ao jornal O Globo, Benjamin Lessing professor de ciência política da Universidade de Chicago pontuou que o surgimento das facções não ocorre apenas em áreas sem Estado, mas muitas vezes em locais com presença estatal significativa. Ele cita São Paulo e Rio de Janeiro como exemplos, onde facções fortes, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), surgiram em estados economicamente mais desenvolvidos.

Os pesquisadores destacam que os resultados têm limitações, podendo subestimar a prevalência da governança criminal. A Latinobarómetro enfrenta dificuldade de acesso a áreas sob forte controle de gangues e questiona apenas atividades centrais das facções.

“Se perguntar se aquele local tem muito crime, as pessoas vão dizer que sim. Mas se perguntar se o crime controla e coloca ordem, não é tão comum a pessoa achar que o crime está melhorando a segurança quando não está. É mais difícil ter um falso positivo com uma pergunta dessas”, explica Lessing.

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