Advogado do PCC teve dois pedidos de prisão negados pela Justiça - Claudio Dantas
Brasília, Segunda, 06 de julho de 2026
Brasil

Advogado do PCC teve dois pedidos de prisão negados pela Justiça

Anderson dos Santos Domingues, advogado do PCC

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Por Redação

O advogado Anderson dos Santos Domingues, conhecido como “Doutor”, foi alvo de dois pedidos de prisão preventiva no último ano e meio, mas ambos foram recusados pela Justiça. Os pedidos surgiram em meio a novas acusações de que ele teria repassado ordens do traficante internacional Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, a membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), e de que integraria um esquema de corrupção de policiais civis em São Paulo.

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Domingues já possui um histórico de condenações por suas conexões com a facção. Ele cumpriu cerca de um ano em regime fechado e, em 2017, foi beneficiado por um indulto natalino assinado pelo então presidente Michel Temer. Seis anos depois, obteve uma reabilitação criminal, que garante o sigilo da sentença e suspende alguns efeitos da condenação, mesmo já tendo sido novamente condenado em primeira instância por organização criminosa.

A primeira vez que Domingues se tornou alvo da Polícia Federal foi em 2014, na Operação Bauru, que investigava o tráfico de drogas. O inquérito começou após a morte de um agente da PF em uma operação para interceptar um carregamento de drogas.

Mensagens interceptadas revelaram que o advogado pedia dinheiro e recebia informações sobre remessas de drogas do Paraguai, o que o levou a ser condenado a sete anos e quatro meses de prisão por participação nas negociações.

Na mesma época, Domingues era monitorado na Operação Gaiola, também da PF, por trocas de mensagens com Rodrigo Felício, o “Tiquinho“, responsável pelo tráfico do PCC no interior de São Paulo. A denúncia o acusou de ser parte da “Sintonia dos Gravatas”, setor do PCC que, além de defender a facção, se envolvia na compra e venda de drogas e intermediação de conflitos internos. Ele foi condenado em 2019 a cinco anos e três meses de prisão.

Mais recentemente, o advogado foi alvo da Operação Mafiusi, que desmantelou um esquema de tráfico internacional de drogas entre a América do Sul e Europa. A investigação revelou que o grupo também se articulava para tentar o resgate de um traficante preso em Moçambique, Fuminho, por meio de corrupção de agentes públicos para impedir sua extradição ao Brasil.

Domingues foi incluído em um grupo de mensagens após a prisão de Fuminho em 2020. Com a ajuda de um cônsul honorário de Moçambique no Brasil, o grupo conseguiu que um celular fosse levado à cela de Fuminho.

As mensagens ditadas por ele teriam chegado aos integrantes do grupo através de Domingues. Após enviar as capturas de tela, o advogado teria pedido aos comparsas que não o desamparassem caso fosse investigado, expressando preocupação com a discrição do cônsul. A denúncia contra ele na Justiça Federal do Paraná ainda não foi julgada.

Na última sexta-feira (18), Domingues foi alvo de uma quarta denúncia criminal. Promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo afirmam que ele intermediou o pagamento de propina a policiais civis para a liberação do helicóptero de um cliente, apreendido em uma operação contra o tráfico de drogas.

Essa investigação, que resultou na Operação Agusta contra o PCC, começou após a apreensão do celular do policial Marcelo Marques de Souza, o “Bombom“. A análise do aparelho revelou a proximidade entre Bombom e Domingues, cujo filho trabalhava no escritório do policial. A acusação aponta que, após ser acionado pelo advogado, Bombom procurou outro policial responsável pelo caso, resultando na liberação da aeronave, avaliada em R$ 10 milhões. Domingues teria recebido parte do dinheiro pago pela liberação.

A defesa do policial afirmou que comprovará sua inocência. O advogado não se pronunciou sobre as denúncias.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que Domingues responde a um processo sigiloso no Tribunal de Ética e Disciplina da instituição, que apura infrações que chegam ao seu conhecimento.

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