Segundo o ministro, proposta americana coincide com posições já defendidas pelo governo brasileiro na ONU
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro aplaude o plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza.
Vieira foi questionado por um parlamentar durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara e disse que o conteúdo da proposta americana corresponde ao que o Brasil já havia defendido no Conselho de Segurança da ONU.
“Sem dúvida nenhuma vamos aplaudi-lo publicamente, possivelmente ainda no dia de hoje, porque o objetivo do plano é justamente o que nós sempre defendemos desde o início do conflito, quando inclusive ainda estávamos no Conselho de Segurança”, declarou o chanceler.
Segundo Vieira, as diretrizes apresentadas por Trump — como cessar-fogo imediato, libertação de reféns, reconstrução de Gaza e respeito aos direitos humanos — já constavam em resoluções sugeridas pelo Brasil, vetadas em seis ocasiões pelos Estados Unidos.
Lula e críticas a Israel
A manifestação de Vieira ocorre em meio às críticas recorrentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governo israelense. No ano passado, Lula chegou a ser declarado “persona non grata” por Tel Aviv após comparar a ação militar de Israel em Gaza ao Holocausto nazista.
Em discursos recentes, o presidente brasileiro afirmou que há um genocídio em curso no território palestino e usou o termo em sua fala na Assembleia-Geral da ONU, em 23 de setembro.
Desde o início do conflito, Lula fez declarações contra Israel, chamando a ofensiva de “vingança de um governo contra a possibilidade da criação do Estado palestino”. Em fevereiro, também criticou Trump, dizendo que a ideia americana de deslocar palestinos e transformar Gaza em uma “Riviera do Oriente Médio” “não tem sentido”.
Proposta dos EUA
Trump apresentou o plano na segunda-feira (29), ao lado do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em Washington. A proposta prevê cessar-fogo imediato, troca de reféns do Hamas por prisioneiros palestinos, retirada gradual das tropas israelenses, desarmamento do Hamas e instalação de um governo de transição em Gaza, administrado por um comitê palestino tecnocrático e supervisionado por um “Conselho da Paz” chefiado pelo próprio Trump.

O colegiado contaria ainda com a participação do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que classificou a iniciativa como “corajosa e inteligente”.
Trump disse que o Hamas terá “de três a quatro dias” para aceitar os termos. “Se o Hamas recusar o acordo… isso é possível, mas acho que eles aceitarão. Caso contrário, Israel terá meu total apoio para fazer o que for preciso para destruir o Hamas”, declarou.
Netanyahu afirmou que, mesmo com um acordo, Israel manterá suas tropas na maior parte da Faixa de Gaza no início da implementação. “O mundo inteiro, incluindo o mundo árabe e muçulmano, está pressionando o Hamas a aceitar as condições que estabelecemos com o presidente Trump: libertar todos os nossos sequestrados – vivos e mortos – enquanto as Forças de Defesa de Israel permanecem na maior parte do território.”
Reação do Hamas
Integrantes do grupo terrorista disseram sob anonimato a agências internacionais que o Hamas avalia a proposta e pode apresentar emendas. As principais objeções seriam em relação ao desarmamento e à permanência de tropas israelenses em Gaza.
Relação Brasil-EUA
A fala de Vieira sobre o plano de Trump ocorre poucos dias após o encontro breve entre Lula e o presidente americano, em Nova York, durante a Assembleia-Geral da ONU. Trump disse ter tido “excelente química” com o brasileiro e afirmou que os dois podem voltar a se reunir em breve.
