Internado em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro negou, nesta segunda-feira (21), qualquer envolvimento ou conhecimento sobre o plano de assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, revelado pela Polícia Federal sob o codinome “Punhal Verde e Amarelo”. Em entrevista ao SBT, Bolsonaro criticou duramente a atuação da PF, contestou a denúncia da PGR e afirmou ser alvo de perseguição.
“Tomei conhecimento com o vazamento da PF junto com a imprensa brasileira”, disse o ex-presidente, diretamente da UTI do Hospital DF Star, onde se recupera de cirurgia no intestino delgado. A entrevista foi a primeira após o procedimento.
Ao ser questionado sobre confiança na Justiça Eleitoral, Bolsonaro ironizou: “A Justiça eleitoral muda rapidamente seu perfil. São mandatos passageiros, que mudam rapidamente”. E foi direto ao ponto sobre 2026: “Vou lutar até o último momento”.
Apesar da decisão do TSE que o tornou inelegível por oito anos, ele acredita que ainda pode reverter a situação. “Eleições sem o maior líder da oposição no ano que vem é uma negação à democracia no Brasil”, afirmou. Para Bolsonaro, sua inelegibilidade é “injusta e não se justifica”.
O ex-presidente também rejeitou a ideia de que outro nome da direita possa substituí-lo na disputa presidencial: “A maioria da população não quer outro nome da direita que não seja Jair Messias Bolsonaro, e ponto final”. Ainda assim, admitiu que dois nomes estão “trabalhando dentro de seus partidos” para ganhar a confiança do eleitorado.
“Sou o maior líder da direita na América do Sul e, a pensar pelo tamanho do Brasil e pela população, também mundial”, disse Bolsonaro, destacando sua aliança com o ex-presidente dos EUA: “Sempre deixo um espaço reservado àquela pessoa – que tenho muita gratidão – que é o Donald Trump”.
STF e trama do golpe
Bolsonaro criticou o processo que enfrenta no STF, classificando-o como “político, sem qualquer base técnica”. Ele rebate as acusações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023 e à suposta tentativa de golpe de Estado.
“A única forma de me colocar dentro de uma tentativa violenta de mudança do Estado Democrático de Direito é ter participado do 8 de janeiro”, disse, negando qualquer convocação para manifestações. Lembrou que, no período dos atos, já estava fora do país. “Como posso deteriorar patrimônio, se estava fora do Brasil?”
Sobre a chamada “minuta do golpe”, encontrada na casa de Anderson Torres, Bolsonaro foi direto: “Nunca existiu minuta de golpe”. Segundo ele, o documento citava apenas o “estado de defesa”, previsto na Constituição. “Outra forma de questionar aquilo que nós tínhamos a convicção de que estávamos certos, dentro das 4 linhas da Constituição”.
Ao ser confrontado sobre o plano de assassinato de autoridades, foi objetivo: “Quem tem que explicar isso é um general da reserva, onde foi encontrado o plano”. Reforçou ainda: “Logicamente abomino qualquer tentativa de assassinar quem quer que seja. Isso nunca fez parte da minha vida”.
Estado de saúde
Bolsonaro também relatou que a cirurgia recente foi “a mais invasiva, complexa, cheia de risco” que já enfrentou. Admitiu que precisará conviver com as limitações impostas pelo problema de saúde. “Peço a Deus pra viver mais 10 anos”, finalizou.
