O ex-presidente Jair Bolsonaro, em ato realizado em Copacabana, Zona Sul do Rio, reforçou sua defesa pela anistia aos presos pelos ataques de 8 de janeiro e fez aceno ao presidente do PSD, Gilberto Kassab. “Ele está do nosso lado”, afirmou Bolsonaro. O PL, partido do ex-presidente, apresentará na quinta-feira um pedido de urgência para que o projeto vá direto ao plenário da Câmara.
A movimentação de Bolsonaro é vista como estratégica para atrair o apoio do PSD, que possui 44 deputados. Nos bastidores, Kassab reconhece que a bancada está dividida, mas admite que há chances de avanço na Câmara, embora o Senado ofereça maior resistência.
“Todos os partidos estão vindo”, declarou Bolsonaro. “Resolvi um velho problema com Kassab, que está ao nosso lado para aprovar a anistia em Brasília.”
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), confirmou que o partido entrará com o pedido de urgência: “Na reunião de colégio de líderes, vamos dar entrada com a assinatura dos 92 deputados do PL e de outros partidos. Eles vão se surpreender.”
Parlamentares do PSD, como Pedro Paulo (PSD-RJ), confirmam que a bancada não é unânime: “Kassab conversou com Bolsonaro sobre anistia, mas sabe que a bancada tem opiniões divididas.”
Bolsonaro reuniu quatro governadores no ato, incluindo Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Cláudio Castro (PL-RJ). Tarcísio defendeu a anistia: “Qual a razão de afastar Bolsonaro das urnas? É medo de perder a eleição?”
Nikolas Ferreira (PL-MG) atacou o STF e o ministro Alexandre de Moraes: “Ele não tem um voto e decide a vida das pessoas.”
O pastor Silas Malafaia, organizador do evento, foi ainda mais incisivo: “Moraes é um criminoso.”
Bolsonaro voltou a citar os presos do 8 de janeiro e levou ao palco a família de Cleriston Pereira da Cunha, morto no Complexo Penitenciário da Papuda. “Essas pessoas foram atraídas para uma armadilha. Só não foi perfeita essa historinha de golpe porque eu estava nos EUA. Se estivesse aqui, estaria preso ou morto.”
Inelegível por oito anos, Bolsonaro enfrenta o risco de se tornar réu por tentativa de golpe. A Primeira Turma do STF julga a denúncia da PGR a partir de 25 de março.
A ministra Gleisi Hoffmann ironizou: “Não é Lula que tem medo de perder, governador Tarcísio. É Bolsonaro que teme a prisão.”
O senador petista Humberto Costa compartilhou imagens do ato com uma faixa de “sem anistia” ao fundo: “Uma imagem vale mais do que mil palavras.”
O embate pela anistia deve esquentar os ânimos na Câmara, com o PL apostando na força da base bolsonarista e no apoio parcial do PSD para pressionar a aprovação do projeto.
