O PL reuniu na semana passada em Brasília quase 2 mil filiados e apoiadores, entre parlamentares, políticos sem mandatos e até influenciadores digitais para traçarem estratégias comuns de comunicação, visando às eleições de 2026. Apesar de relatos de ‘sucesso’ do evento, o racha na convocação do protesto do dia 16 de março já se coloca como primeiro grande desafio para a legenda.
As manifestações estavam sendo convocadas em vários estados e até municípios, dentro de um cenário de participação geral de diferentes grupos políticos de oposição, movimentos e até cidadãos comuns, todos insatisfeitos com o aumento do custo de vida e dos impostos, além da perseguição política do Supremo. Por isso, a bandeira do protesto seria o Fora, Lula!, como símbolo máximo de tudo que há de errado no país.
Jair Bolsonaro, por não acreditar em impeachment agora e temendo uma reação enérgica do Supremo contra ofensas e xingamentos, resolveu convocar seu próprio protesto e concentrá-lo na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Ele também passou a ligar para prefeitos e deputados, convencendo-os a desmobilizarem suas manifestações para tentar reunir um público ainda maior, apostando numa audiência de 1 milhão de pessoas.
Como revelou este site, a decisão também foi fruto da briga com a deputada Carla Zambelli, que reservou espaço na Avenida Paulista para seu próprio grupo. Da última vez, Bolsonaro se irritou com um carro de som estacionado perto do evento que havia convocado e também com a presença de última hora de Pablo Marçal, que tentou subir em seu carro de som.
A posição do ex-presidente foi questionada internamente no PL por aliados. Alguns, como Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer, cederam aos apelos de Bolsonaro. Outros, como Rogério Marinho, decidiram manter. O próprio líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tem orientado outros parlamentares que não tem condições de se deslocar ao Rio que sigam com suas mobilizações.
Muitos enxergam no dia 16 uma oportunidade para alavancar a oposição como um todo, capitalizando o apoio popular para desgastar o atual governo, ampliando a mobilização a favor da liberdade de expressão e também da anistia, com efeito positivo para 2026. Estão certos.
