Bolsonaro deve cumprir ao menos seis anos em regime fechado após decisão do STF - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Bolsonaro deve cumprir ao menos seis anos em regime fechado após decisão do STF

Bolsonaro deve cumprir ao menos seis anos em regime fechado após decisão do STF foto: Agência Brasil

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Por Redação

Mesmo com pena de 27 anos, progressão só será possível após 25% do total

O trânsito em julgado do processo contra Jair Bolsonaro (PL) e os demais condenados do núcleo 1 da trama golpista, declarado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira (25/11), abriu uma nova fase jurídica: a execução definitiva das penas.

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A partir de agora, as defesas dos réus passam a concentrar esforços em recursos complementares e pedidos específicos para tentar reduzir o tempo de prisão ou modificar o regime de cumprimento.

Bolsonaro começou a cumprir, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, a pena de 27 anos e 3 meses de prisão em regime inicialmente fechado. Embora a condenação seja longa, estimativas jurídicas apontam que o ex-presidente deverá permanecer cerca de seis anos e sete meses no regime fechado, prazo que pode cair para aproximadamente seis anos, dependendo da decisão do STF sobre o enquadramento do crime de dano qualificado.

A defesa tenta impedir que Bolsonaro permaneça no regime fechado. Os advogados alegam risco à vida e agravamento do estado de saúde do ex-presidente, que enfrenta sequelas da facada de 2018 e um histórico de cirurgias e complicações.

Antes mesmo da execução da pena, a equipe jurídica já havia informado ao Supremo que Bolsonaro apresenta episódios diários de “soluços gastroesofágicos, falta de ar” e faz uso contínuo de medicamentos que atuam no sistema nervoso central.

Bolsonaro deve cumprir ao menos seis anos em regime fechado após decisão do STFfoto: STF
Bolsonaro deve cumprir ao menos seis anos em regime fechado após decisão do STF   foto: STF

Como funciona a progressão de regime

Se o STF não conceder prisão domiciliar por razões humanitárias, a defesa terá que aguardar o momento em que Bolsonaro poderá solicitar a progressão para o regime semiaberto. A Lei de Execução Penal determina que essa mudança depende de dois critérios:

— Objetivo: percentual mínimo da pena já cumprida;
— Subjetivo: comportamento considerado adequado no período de detenção.

Com o Pacote Anticrime, sancionado pelo próprio Bolsonaro em 2019, os requisitos ficaram mais rígidos. Para crimes sem violência, a progressão é possível após o cumprimento de 16% da pena. Mas os crimes pelos quais o ex-presidente foi condenado incluem dispositivos de violência ou grave ameaça, como:

organização criminosa armada,

dano qualificado,

golpe de Estado,

abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Para estes, o percentual mínimo sobe para 25% da pena total.

No cálculo aplicado à sentença de Bolsonaro, 27 anos e três meses, isso significa que o ex-presidente precisa cumprir pelo menos seis anos e sete meses para solicitar progressão ao semiaberto. Caso o STF descarte o crime de dano qualificado, esse período cai para cerca de seis anos.

A defesa também deverá pedir que a Corte desconte o período de prisão domiciliar cumprido desde agosto, o que pode reduzir, ainda que modestamente, o tempo final no regime fechado.

Enquanto isso, Bolsonaro segue preso na Superintendência da Polícia Federal, agora de forma definitiva, após o STF confirmar que não há mais possibilidade de recursos no processo.

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