Julgamento de Bolsonaro e mais sete réus começa nesta terça no STF
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Roberto Barroso, afirmou que o julgamento da “trama golpista”, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu, deve ser entendido como um marco para “encerrar ciclos do atraso” no país.
“Se comprovar que houve a tentativa de golpe, o julgamento ainda vai ocorrer, eu acho que é muito importante julgar, é um pouco como encerrar os ciclos do atraso no país e ter a consciência de que a divergência que é legítima e desejável numa democracia deve se manifestar dentro das regras do jogo. Essa ideia de que quem perdeu tenta levar a bola pra casa ou mudar as regras é um passado que nós precisamos enterrar”, disse Barroso.
O deputado estadual Bruno Zambelli (SP) postou o vídeo da fala de Barroso no Instagram e disse que o papel de um juiz é garantir a imparcialidade, ouvir as partes e decidir dentro dos autos.
“O que estamos vendo é exatamente o oposto: um magistrado se manifestando fora do processo, praticamente antecipando a sentença antes mesmo do julgamento.”
O ministro reforçou que cabe ao STF aplicar a Constituição e a legislação, com independência, a todos os casos que chegam aos ministros da Corte.
“Eu acho que o papel do Judiciário é julgar os casos que lhe são apresentados. Vale para plataformas digitais de responsabilização, vale para uma denúncia criminal feita pelo procurador-geral da República. Portanto, eu acho que o julgamento precisa ser feito com absoluta serenidade, mas cumprindo o que diz a Constituição e o que diz a legislação”, afirmou.
Segundo ele, a Corte deve resistir a qualquer tentativa de interferência.
“Sem interferências, venham de onde vier. A gente está lá para cumprir uma missão, que é uma missão difícil, mas é também a missão de servir o Brasil da melhor forma possível”, concluiu.
