Em depoimento à Primeira Turma do STF, o ex-comandante da Aeronáutica Carlos de Almeida Baptista Júnior reiterou a declaração dada à Polícia Federal de que participou, em 14 de dezembro, de uma reunião com o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, na qual teria sido apresentada uma suposta ‘minuta do golpe’. O brigadeiro, porém, admitiu pela primeira vez que não leu o documento, assim como o general Freire Gomes, então comandante do Exército.
Diante dos ministros, ele relatou que Nogueira convocou a reunião e disse: “Trouxe aqui um documento para vocês lerem”. Imediatamente, Baptista Júnior disse ter questionado o ministro sobre se o documento tratava de algum impedimento à posse de Lula. Ele disse que “sim”. Em seguida, ele diz que deixou a reunião sem ler o documento. “Eu disse que não aceitava nem receber esse documento. Me levantei e fui embora”.
Ainda durante seu depoimento, o militar apresentou outra contradição ao afirmar que o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, teria dito que “as tropas estavam à disposição do presidente”. Em seguida, disse que Garnier “condenou a possibilidade de debatermos aquele documento”.
Baptista também recuou sobre a presença de Anderson Torres e disse que o ex-ministto nao esteve em nenhuma das reuniões. O depoimento foi prestado no âmbito da ação penal que apura a suposta trama golpista, especificamente envolvendo o chamado núcleo 1, que inclui Bolsonaro e Torres como réus.
Quanto às discussões sobre a GLO, ele afirmou que “durante todo o período eleitoral, as Forças Armadas trabalhavam com avaliação de conjuntura” e, na reunião do dia 1º de novembro, comentou que nenhum “problema foi encontrado”. Segundo Baptista Júnior, “o presidente perguntou a Bruno Bianco se havia mais alguma solução jurídica a tomar. Bruno Bianco disse que ‘não’”.
Em continuação, o militar informou que na reunião do dia 2 o presidente parecia frustrado e deprimido. “Esse assunto de GLO começou a ser abordado nessas outras reuniões. Mas o foco era a entrega do relatório. Em determinado ponto, penso que foi a partir do dia 11, comecei a entender que a GLO que estávamos abordando não era o que estava acostumado a ver as Forças Armadas cumprirem desde 1992, e começamos a ficar desconfortáveis. Pelo menos eu, Paulo Sérgio e Freire Gomes.”
