A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal ouve agora de manhã o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica no governo de Jair Bolsonaro. Ele é testemunha da acusação na ação penal sobre a suposta trama golpista. À Polícia Federal, ele disse ter presenciado reuniões em que teriam sido discutidos os termos da chamada ‘minuta do golpe’.
Baptista Junior também disse ter visto duas versões do documento e afirmou que, se não fosse a recusa do então comandante do Exército, provavelmente teria havido um golpe.
“Indagado se o posicionamento do general Freire Gomes foi determinante para que uma minuta do decreto que viabilizasse um golpe de Estado não fosse adiante respondeu que sim; que caso o comandante tivesse anuído, possivelmente a tentativa de Golpe de Estado teria se consumado”, informa a PF em seu relatório.
Em seu depoimento, porém, Freire Gomes rejeitou a tese de que teria tomado conhecimento de qualquer documento com teor golpista ou mesmo que tenha ameaçado dar voz de prisão ao então presidente da República. Segundo ele, “houve um equívoco na interpretação da imprensa sobre o episódio” e que nem deu muita bola para a tal “minuta” de aplicação da GLO.
“A mídia até disse que eu dei voz de prisão ao presidente, e isso não aconteceu”, declarou, explicando que tal reação teria implicações jurídicas claras.
Segundo ele, o documento era “um apanhado de considerados com base na Constituição, com aspectos jurídicos, por isso, não nos chamou atenção”. “Muito vazio”, disse. Freire Gomes também esclareceu que nunca identificou Filipe Martins como o assessor que lhe mostrou o documento, pois antes do noticiário não o conhecia.
O general ainda negou que tenha identificado Anderson Torres como o autor da minuta.
“Não sei quem é o autor”, afirmou. “Talvez ele (Bolsonaro) tenha nos apresentado (o documento) por questão de consideração. Ele estava apenas dando conhecimento de que estava iniciando esses estudos. Ao longo desse processo nós tivemos diversas reuniões, e essas hipóteses estavam sendo aperfeiçoadas, e o presidente conversando conosco, apenas comentou sobre esse estudo.”
Quem trabalhou com Baptista Júnior diz que seu relacionamento com Bolsonaro e Mauro Cid não era tão bom quanto o de Freire Gomes, e que, provavelmente, ele deve corroborar o que disse à Polícia Federal. Mesmo assim, seu depoimento perde força sem a versão de confirmação do próprio ex-comandante do Exército.