Até o Psol cobra afastamento de Toffoli do caso Master
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Até o Psol cobra afastamento de Toffoli do caso Master

Deputados da esquerda defendem saída do ministro da relatoria após revelações da PF

Caso Master: Relatório da PF menciona conversas sobre pagamentos a Toffoli
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Parlamentares da esquerda defenderam hoje (12) o afastamento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, da relatoria das investigações sobre fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A manifestação ocorreu após a divulgação de que a Polícia Federal encontrou mensagens, ligações e até convite do ministro ao empresário investigado.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) afirmou nas redes sociais:

“As notícias recentes só reforçam o que já vínhamos apontando: Dias Toffoli deve ser imediatamente afastado do caso Master. Junto com Heloísa Helena e Fernanda Melchionna fiz esse pedido à PGR no mês passado. Que todas as relações nesse esquema criminoso venham a tona. Com o crime organizado, empresários, governadores e outras autoridades. E que os envolvidos sejam responsabilizados com rigor”.

Já o deputado Glauber Braga (Psol-RJ), atualmente suspenso, declarou:

“A permanência de Dias Toffoli como relator do caso do Banco Master é tudo o que a extrema-direita quer. Eles tiram o foco dos seus protagonistas, vejam o que fez Cláudio Castro com o RioPrevidência, e, de quebra, ainda buscam desmoralizar a investigação e o STF como um todo no processo de responsabilização dos golpistas”.

Novo pedido de impeachment

No Senado, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) anunciaram que protocolariam um novo pedido de impeachment contra Toffoli. O documento tem como base as informações reveladas pela PF.

Girão e o senador Magno Malta (PL-ES) também apresentaram aditamento ao pedido de impeachment protocolado em 14 de janeiro com Damares Alves (Republicanos-DF). O novo texto inclui as descobertas da Polícia Federal.

Na denúncia original, os senadores defendem a perda do cargo e a inabilitação por oito anos para o exercício de função pública. Alegam dois crimes de responsabilidade: proferir julgamento quando esteja legalmente suspeito e proceder de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro das funções.

Segundo os parlamentares, o ministro tomou decisões no inquérito que investiga Vorcaro mesmo em situação de possível suspeição. Eles citam viagem a Lima, no Peru, em jatinho privado ao lado de advogado ligado ao caso, além de vínculos econômico-financeiros entre fundo de investimentos sob apuração e empresas de familiares do ministro.

No texto do pedido, afirmam:

“A existência de aportes milionários de origem sob escrutínio em negócios familiares cria uma situação objetiva de potencial conflito de interesses de natureza patrimonial. Nos termos do artigo 144, III, do Código de Processo Civil, aplicável por analogia, configura-se hipótese de suspeição quando o juiz é credor ou devedor, ou tem interesse direto ou indireto na causa. A manutenção na relatoria diante de tal quadro configura grave desvio”.

Acrescentam ainda que a conduta do ministro no caso Master, que envolveria favorecimento processual, conflito institucional e permanência na relatoria diante de vínculos familiares, é “flagrantemente incompatível com o decoro e a dignidade do cargo de Ministro do STF”.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade