Apoiado por China e União Europeia, Brasil critica tarifas de Trump na OMC - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Apoiado por China e União Europeia, Brasil critica tarifas de Trump na OMC

Brasil vai a OMC reclamar de tarifas de Trump

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Por Isac Mascarenhas

O governo brasileiro se manifestou oficialmente contra o tarifaço de 50% imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 1º de agosto. Nesta quarta-feira (23), durante uma reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, na Suíça, o Brasil classificou a medida americana como política e não apenas econômica.

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Em seu discurso, o embaixador brasileiro Philip Fox-Drummond Gough alertou que negociações baseadas na imposição de tarifas podem levar à instabilidade e impactar negativamente a economia global, resultando em aumento de preços e estagnação econômica.

Sem citar diretamente os EUA, o embaixador afirmou que as tarifas estão sendo usadas para interferir em assuntos internos de outros países. “O mundo está testemunhando uma mudança extremamente perigosa em direção ao uso de tarifas como ferramenta em tentativas de interferir nos assuntos internos de terceiros países”.

A delegação brasileira sinalizou que, se as negociações não avançarem, poderá acionar formalmente o mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Além disso, o Itamaraty não descartou a adoção de medidas unilaterais previstas na Lei da Reciprocidade Comercial, recentemente aprovada no Brasil, medida que prevê a possibilidade de aplicar taxas extras, tarifas ou outras restrições, de forma emergencial ou definitiva.

A Lei da Reciprocidade Comercial foi criada para dar uma resposta formal a medidas unilaterais que afetem a competitividade nacional, como o tarifaço de Trump, embora não cite especificamente os Estados Unidos. Na prática, o decreto permite que o Brasil suspenda concessões comerciais, investimentos ou acordos ligados a direitos de propriedade intelectual sempre que outros países impuserem barreiras.

Gough enfatizou que o mundo assiste a um ataque sem precedentes ao sistema multilateral de comércio e à credibilidade da OMC. Afirmou que as tarifas são arbitrárias e violam as normas internacionais. “Tais medidas unilaterais constituem uma violação flagrante dos princípios fundamentais que sustentam a OMC e que são essenciais para o funcionamento do comércio internacional”.

Na reunião da OMC, Rússia, China, União Europeia, Austrália e Canadá e outros 40 países manifestaram apoio ao posicionamento do Brasil.

Para coordenar a reação brasileira, o governo instituiu o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais. O grupo é liderado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com participação da Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Itamaraty.

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