Andrei: STF saberá avaliar se há suspeição de Toffoli
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Andrei: STF saberá avaliar se há suspeição de Toffoli

Diretor da PF afirma que não se pode criminalizar relações entre empresários, políticos e juristas

De acordo com o diretor-geral, a PF adota protocolos rígidos para evitar questionamentos futuros sobre a validade do processo.
Foto: José Cruz/Agência Brasil

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre eventual afastamento de Dias Toffoli da relatoria das investigações envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

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Em entrevista ao jornal O Globo, Andrei disse que a análise sobre possível conflito de interesse é “questão técnica” da própria Corte.

“Isso (possível conflito de interesse de Toffoli) é uma questão técnica. Não é uma questão legal, jurídica. Não compete à Polícia Federal arguir qualquer questão que não seja da sua competência. Isso o próprio Supremo, creio eu, saberá analisar”, declarou.

A PF solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição de Toffoli no caso Master. O pedido foi acompanhado de material com achados extraídos do celular de Vorcaro que, segundo os investigadores, indicariam incompatibilidade entre a atuação do ministro e sua permanência na relatoria ou eventual participação no julgamento do caso pelo plenário.

Conversas obtidas no celular do dono do Master teriam menções a pagamentos ao ministro do STF.

Andrei também negou, na entrevista, qualquer desentendimento entre a corporação e Toffoli na condução do inquérito:

“Não há estranhamento nenhum. Cada instituição tem a sua função, e a autoridade desse processo é o ministro relator, que tem o seu entendimento na maneira de conduzir e tomar as decisões. O que nos compete é cumpri-las ou recorrer, e argumentar pela questão que acharmos técnica. Não tenho notícias de que tenha havido prejuízo para a investigação. O ministro deferiu todas as medidas, todas as buscas. Na outra fase, houve prisões também. Enfim, o processo segue com a sua regular instrução.”

O diretor-geral da PF ressaltou ainda que a existência de relações entre empresários, políticos e juristas, por si só, não configura crime: “É importante separar a eventual relação que qualquer pessoa tenha com qualquer outra pessoa e não criminalizar a relação de um empresário e de um banqueiro com um político, com um jurista, com quem quer que seja. O fato de as pessoas se relacionarem não é crime. O que as nossas investigações buscam é a apuração de crimes. Então, se houver indicativo que há um político envolvido, temos que encaminhar (ao STF)”.

Segundo Andrei, o relatório final de um dos inquéritos relacionados ao Master deve ser concluído em até 60 dias. Ele terá foco na negociação envolvendo o BRB, o banco de Daniel Vorcaro e outra operadora.

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