Análise: Fachin tem a faca e Moraes na mão; cortará na própria carne? - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Análise: Fachin tem a faca e Moraes na mão; cortará na própria carne?

Fachin terá coragem para investigar Moraes?
Fachin terá coragem para investigar Moraes?

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Por Claudio Dantas

Se a reportagem de Malu Gaspar no Globo estiver certa, Alexandre de Moraes atuou para defender os interesses do banqueiro Daniel Vorcaro junto ao Banco Central na tentativa de venda do Master para o BRB. Não o fez por voluntarismo, mas a soldo. O ministro agia por cima, enquanto a advogada Viviane Barci, sua mulher, recebia por baixo R$ 3,6 milhões mensais — num contrato que previa o pagamento total de R$ 129 milhões.

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É um escândalo de proporções épicas, mesmo para o Supremo Tribunal Federal. O silêncio do ministro até agora agrava a situação, pois uma acusação como essa mereceria o repúdio imediato, com inclusão da colunista e do jornal no inquérito sobre atos antidemocráticos. Será que o Globo está conspirando para derrubar Moraes e a democracia ou apenas fazendo jornalismo? Diante da ausência de resposta oficial, a ironia é obrigatória.

O uso de escritório de advocacia nesse contexto é particularmente grave, pois a profissão é identificada internacionalmente como uma área de risco para a lavagem de dinheiro e a corrupção, podendo servir para “mascarar” atividades ilícitas como se fossem serviços jurídicos legítimos. 

Em um caso envolvendo um ministro do STF, um banco privado e o Banco Central, a complexidade e o potencial de crimes graves indicam que a conduta transcende a simples advocacia administrativa e pode ser enquadrada em corrupção passiva, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, exploração de prestígio e até organização criminosa, caso os requisitos legais da Lei nº 12.850/2013 sejam preenchidos.

Em se tratando de crimes comuns, por infração ao Código Penal, cabe ao Procurador Geral da República, Paulo Gonet, solicitar imediatamente ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a abertura de uma investigação criminal. Trata-se de uma oportunidade de ouro para Fachin, que vem sofrendo resistência interna brutal para a aprovação de um código de conduta para os ministros.

Uma investigação criminal desse porte exigiria coragem institucional inédita, mas tem tudo para se tornar um ‘leading case’ sobre limites da atuação de familiares e parentes de ministros no próprio STF. Em 2023, Fachin votou contra a tese de Gilmar Mendes que invalidou o inciso VIII do artigo 144 do CPC e abriu a porteira para atuações questionáveis, como a de Viviane Barci de Moraes.

Na ocasião, o decano venceu o debate com um argumento moral e juridicamente constrangedor: o de que a regra seria impraticável, pois exigiria que os magistrados conhecessem a carteira completa de clientes de seus parentes para se declararem impedidos. Um voto despudorado que foi acompanhado por Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin… e Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça!

Seguiram Fachin apenas Rosa Weber, Roberto Barroso e Cármen Lúcia. Hoje, Toffoli é relator da investigação original do Master sobre o negócio com o BRB. Mas sua posição pública sobre a matéria e o flagrante de uma viagem de jatinho com um advogado da causa o tornam suspeito para investigar Moraes. Restariam apenas Carminha e Flávio Dino, que, embora não integrasse a Corte, defende publicamente a restrição da atuação familiar.

Nos últimos anos, Moraes surfou na onda antibolsonarista e acumulou poder como nenhum outro ministro — eu diria até nenhuma outra autoridade — na história da República. Sua loucura foi apoiada e até estimulada, interna e externamente, em detrimento do equilíbrio entre os Poderes e da própria democracia que todos juravam defender.

Como costuma ocorrer com aqueles que provam do poder absoluto, parece que Moraes se deixou corromper absolutamente. Tornou-se uma célula cancerosa, um tumor institucional que ameaça o próprio STF com metástase. Cabe a Fachin agora atuar como um cirurgião, cortando na própria carne para evitar a própria morte da Justiça.

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