Dantas criticou Receita por ser “tchutchuca” com poderosos
No programa ALive desta quinta-feira (22), o apresentador Claudio Dantas disse que o caso envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli e o resort Tayayá repete a “mesma história” do sítio de Atibaia (SP) de Lula (PT).
Embora Toffoli não seja formalmente dono do resort localizado em Ribeirão Claro (PR), funcionários do Tayayá o tratam como “proprietário”. Na cidade, o empreendimento é conhecido como “resort do Toffoli”.
“Sabe quem que estava sempre no mesmo lugar, mas que também não era dele? O Lula, em Atibaia”, disse o jornalista.
“Quando se tratou do câncer, ele [Lula] estava sempre lá, tinha pasta de dente, escova de dente, tinha a cueca dele, tinha a adega dele com as garrafas que ele ganhou, tinha tudo dele, tinha um pedalinho com o nome dos netos, tinha uma antena da Oi que ele mandou instalar, tinha tudo, mas não era dele, tá?”, ironizou. “O sítio não ‘era’ dele”.
Para Dantas, o caso de Atibaia (SP) se repete agora com Toffoli. “Então, a gente está revivendo essa mesma história [com Toffoli]. O ministro Toffoli precisa vir a público, nem que seja para admitir: ‘É meu, eu paguei com as minhas palestras. Paguei com as minhas palestras’”, afirmou.
O apresentador do ALive comentou também a reportagem do Estadão que ouviu a cunhada de Toffoli, que afirmou desconhecer o envolvimento do marido, José Eugênio Dias Toffoli, com o resort. José Eugênio chegou a deter, por meio da empresa Maridt Participações, um terço do Tayayá.
A sede da empresa fica em Marília, no interior de São Paulo, onde está localizada a casa do casal, um imóvel em más condições.
“O nome dele [José Eugênio] consta lá na junta, lá na junta comercial. Já consta há muito tempo”, destacou. “Ele está constando lá, endereço, tudo, desde 2018”. Dantas afirmou ainda que nenhum dos irmãos de Toffoli teria “condições financeiras para ser sócio de qualquer empreendimento imobiliário, muito mais num porte como o do resort Tayayá”.
Ao comentar o tema, a cientista política Júlia Lucy afirmou que, “das duas, uma, ou ela foi enganada pelo marido e descobriu na reportagem, ou o marido também foi enganado”.
Segundo Dantas, caso essa hipótese se confirme, é “fraude documental”: “Será que fraudaram, pegaram o CPF dele, a assinatura, fraudaram documento público? Isso aí é grave”.
O jornalista também criticou a Receita por nunca ter identificado as inconsistências envolvendo o Tayayá e os irmãos e primo de Toffoli. “Vocês estão de brincadeira com o cidadão brasileiro, vocês estão de sacanagem com o cidadão brasileiro”, afirmou.
“É tigrão, leãozão com o cidadão comum, mas é tchutchuca com os poderosos”, criticou Dantas. “Se vocês estivessem atrás dos poderosos, provavelmente não precisavam ficar comendo, mordendo pessoas humildes que ganham aí, que trabalham na informalidade para pagar o seu sustento, o seu almoço, vende o almoço para pagar a janta”.
