Aliados de Dino fizeram “chantagens nada republicanas”
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Crise no Maranhão: Aliados de Dino fizeram “chantagens e barganhas nada republicanas”

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

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Por Redação

Aliados de Dino teriam negociado apoio político em troca de liberação de vagas no TCE; governador do MA denuncia chantagens

Nos últimos dias, o Maranhão mergulhou em uma crise política após a divulgação de áudios em que aliados de Flávio Dino tratam de um suposto acordo entre ele e o sucessor Carlos Brandão, com quem mantém rompimento político.

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Segundo os aliados, o ministro do STF teria exigido que seu grupo político assumisse uma prefeitura em troca da liberação de indicações do governador para o Tribunal de Contas do Estado, cujas nomeações foram suspensas pelo próprio magistrado.

Os áudios foram expostos na tribuna da Assembleia Legislativa pelo deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB) e revelam conversas envolvendo os deputados federais Rubens Pereira Júnior (PT-MA) e Márcio Jerry (PCdoB-MA), o secretário-executivo do Ministério dos Esportes, Diego Galdino, e o desembargador federal Ney Bello, todos aliados de Flávio Dino.

Nas gravações, eles discutem termos e condições atribuídos ao ministro do Supremo com o objetivo de tentar resolver desentendimentos e estabelecer uma trégua com Brandão.

Na gravação que envolve o petista Júnior, o parlamentar aparece falando no viva-voz durante um telefonema gravado em vídeo. Ele menciona a necessidade de “cumprir o acordo de Colinas (MA) [cidade do interior que é reduto eleitoral de Brandão] e tratar bem quem votou no governador” nas útlimas eleições.

Na ligação exposta, Júnior se refere a Flávio Dino como “ele”: “Ele disse: Júnior, se a gente conseguir avançar nessas duas pautas, zera tudo. Eu libero TCE, a gente faz de conta que a gente nunca se desentendeu em nada na vida. Zera o jogo todo de novo”.

O ministro do STF é relator de duas ações contra o processo de escolha de conselheiros para o TCE do Maranhão, apresentadas depois que Brandão indicou um sobrinho para integrar a Corte. Uma foi proposta pelo Solidariedade e outra pela PGR. Nas duas, Dino não se declarou impedido e suspendeu o processo de indicação.

Brandão e as “chantagens e barganhas”

Em nota divulgada nas redes sociais, Brandão se pronunciou sobre o caso, afirmando que foi alvo de “chantagens e barganhas nada republicanas” por parte de aliados de Dino. Ele disse também que já sofria pressões antes mesmo do conteúdo dos áudios ser divulgado:

“Tudo que agora veio a público já era sabido, porque eles próprios, numa exibição de intimidade com outras forças, falavam abertamente. A quem quisesse ouvir e, eventualmente, até gravar”.

O governador afirmou que o governo anterior, de Dino, queria permanecer no comando da gestão, mas ele, como atual chefe do Executivo, impôs limites, o que desagradou os ex-aliados. Segundo ele, a “reação [dos ex-aliados] foi insana, agressiva, utilizando-se até de chantagens e barganhas nada republicanas”.

Brandão confirmou ainda que os ex-aliados tentaram trocar apoio à candidatura em Colinas por liberação das vagas do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), atualmente retidas por decisão do Supremo sob relatoria de Dino:

“TUDO QUE AGORA VEIO A PÚBLICO JÁ ERA SABIDO, PORQUE ELES PRÓPRIOS, NUMA EXIBIÇÃO DE INTIMIDADE COM OUTRAS FORÇAS, FALAVAM ABERTAMENTE. A QUEM QUISESSE OUVIR E, EVENTUALMENTE, ATÉ GRAVAR. O DEPUTADO RUBENS JÚNIOR ME TROUXE O RECADO, UMA OFERTA. EU APOIARIA CANDIDATURA DE INTERESSE DO DEPUTADO MÁRCIO JERRY EM COLINAS, E AS VAGAS RETIDAS DO TCE SERIAM LIBERADAS. O PRÓPRIO RUBENS JÚNIOR CONFIRMOU NA TRIBUNA DA CÂMARA FEDERAL”.

“Eu não gravei, meu governo não gravou. Eles se fizeram gravar. Agora temem os efeitos dessa exposição vexatória a que se submeteram, expondo nomes de outros níveis de poder”, completou.

Em nota, a assessoria de Dino disse que “o ministro não participou e nem responde por SUPOSTOS diálogos políticos de terceiros. A hipótese é obviamente absurda”.

CONFIRA A DECLARAÇÃO COMPLETA DE BRANDÃO:

“Em política, tem que se ter coerência. Sou parceiro do presidente Lula sob qualquer circunstância, mas aqui no Maranhão plantou-se uma divisão. O governo que se encerrou em 2022 quis permanecer no comando da gestão para a qual fui eleito. Fui parceiro, mas impus limites. A reação foi insana, agressiva, utilizando-se até de chantagens e barganhas nada republicanas. Tudo que agora veio a público já era sabido, porque eles próprios, numa exibição de intimidade com outras forças, falavam abertamente. A quem quisesse ouvir e, eventualmente, até gravar. O deputado Rubens Júnior me trouxe o recado, uma oferta. Eu apoiaria candidatura de interesse do deputado Márcio Jerry em Colinas, e as vagas retidas do TCE seriam liberadas. O próprio Rubens Júnior confirmou na tribuna da Câmara Federal. Eu não gravei, meu governo não gravou. Eles se fizeram gravar. Agora temem os efeitos dessa exposição vexatória a que se submeteram, expondo nomes de outros níveis de poder”.

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