O governo do presidente Lula (PT) entra na semana decisiva das negociações com os Estados Unidos diante da expectativa de que a administração de Donald Trump anuncie, na quarta-feira (15), a decisão sobre a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras. Apesar da continuidade das tratativas, integrantes do Palácio do Planalto avaliam que há poucas chances de reverter a medida.
A decisão norte-americana será baseada na investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apura práticas comerciais consideradas desleais. Entre os pontos analisados estão o Pix, regras de propriedade intelectual, desmatamento ilegal, comércio digital, etanol e tarifas preferenciais.
Na última sexta-feira (10), Lula reuniu-se com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para avaliar o cenário e definir a estratégia do governo antes do prazo final estabelecido pelos Estados Unidos.
Segundo integrantes do Planalto, o cenário considerado mais provável é a confirmação da sobretaxa. A principal dúvida envolve o percentual definitivo e quais produtos brasileiros serão atingidos pela medida.
Negociação segue sem consenso
O governo brasileiro apresentou aos Estados Unidos um documento com propostas para responder aos pontos levantados pelo USTR. O texto prevê o fortalecimento de mecanismos de controle nas áreas questionadas, além da ampliação de medidas já existentes para demonstrar que elas não causam distorções ao comércio norte-americano.
Entre os temas abordados estão comércio digital, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol, desmatamento ilegal e tarifas preferenciais. O Pix ficou fora das negociações por ser considerado um ponto inegociável pelo governo.
Mesmo com a apresentação do chamado “mapa do caminho”, auxiliares de Lula avaliam que a equipe norte-americana não deve considerar suficientes os argumentos técnicos apresentados pelo Brasil, o que mantém distante a possibilidade de um acordo antes do prazo final.
A percepção foi reforçada pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, que afirmou na última semana que ainda existe “muita distância” entre os dois países e indicou que a decisão será anunciada em breve.
“Esta semana tivemos nossa última audiência, e eu estou em contato com os brasileiros, estamos tentando negociar, mas eu acho que há muita distância entre nós, então você verá a decisão final sobre o Brasil muito em breve.”
Antes da definição prevista para quarta-feira, Greer ainda deve participar de uma nova reunião com representantes brasileiros.
Planalto trabalha com dois cenários
Além da confirmação da tarifa, o governo considera um segundo cenário, visto internamente como menos provável: um eventual adiamento da decisão por parte da administração Trump.
Nos bastidores, integrantes do Planalto avaliam que a possibilidade poderia estar relacionada ao cenário político brasileiro, especialmente após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, participar em Washington de audiência sobre o tarifaço.
Na ocasião, Flávio afirmou que este seria o “pior momento possível” para a adoção da medida e defendeu o adiamento da decisão norte-americana até depois das eleições brasileiras.
A manifestação foi criticada pelo governo. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou:
“Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.”
Resposta será definida após decisão dos EUA
Independentemente do resultado anunciado pelos Estados Unidos, o governo pretende manter as negociações até o prazo final.
A orientação de Lula é que uma eventual reação brasileira seja discutida somente após a divulgação da decisão oficial do governo norte-americano, prevista para 15 de julho.