Operação cumpre 10 mandados de prisão e 21 de busca contra o tráfico no centro de São Paulo
Agentes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial do Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil, deflagraram nesta manhã (8) a Operação Sharpe contra lideranças do tráfico na Favela do Moinho, região central da capital. A ação tem como alvo o cumprimento de dez mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão. Segundo a investigação, oito pessoas foram presas.
Entre os detidos estão Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, o Leo do Moinho, preso no ano passado por chefiar o tráfico local. Segundo a polícia, Alessandra se apresentava como líder comunitária, mas atuava em favor do irmão. Também foram presos José Carlos da Silva, apontado como atual líder do tráfico na favela, e Jorge de Santana, dono de um comércio usado para armazenar armas e drogas.
A filha de Alessandra, Yasmin Moja Flores, e Roberto, marido dela, também foram presos. A polícia afirma que drogas foram encontradas na casa de Roberto. “Não tinha nada na minha casa, eles colocaram”, disse Alessandra ao chegar ao Dope (Divisão de Capturas do Departamento de Operações Especiais).
No dia 26 de julho, Lula e seus ministros visitaram a comunidade para anunciar o lançamento de um programa habitacional em parceria com o governo de São Paulo, voltado à realocação dos moradores do bairro. Na cerimônia, Alessandra e Yasmin Moja foram chamadas ao palanque e cumprimentaram o presidente.
“Esse dia vai ser histórico para a comunidade do Moinho, que em vez de a gente tomar tapa, bomba, tiro, a gente está recebendo o presidente da República na nossa casa”, afirma Flávia Silva, representando a Favela do Moinho, enquanto segura na mão de Lula.
A ofensiva é um desdobramento da Operação Salus et Dignitas, de agosto de 2023, que mirou a atuação do PCC na Cracolândia. Na época, Leo do Moinho foi preso. O Gaeco apurou que, mesmo na prisão, ele continuava a emitir ordens para intimidar moradores e servidores da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), impedindo que famílias aceitassem indenizações e deixassem suas casas.
O governo de São Paulo iniciou em abril um plano de reassentamento voluntário para as famílias do Moinho. A área, única favela no centro da capital, será transformada no Parque do Moinho. “As autoridades desferem novo golpe no grupo criminoso, que tentava se reorganizar por meio do tráfico e seguia coagindo moradores e agentes públicos”, afirmou o MPSP em nota.
Segundo o MP, a Salus et Dignitas reduziu de forma expressiva as cenas abertas de consumo de drogas na Cracolândia, ambiente descrito como um “ecossistema para o cometimento de ilícitos” controlado pelo PCC.
