Em entrevista ao programa ALive desta segunda-feira (13), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques afirmou que integrantes da Faria Lima, do mercado financeiro e dos bancos se arrependeram de ter apoiado a eleição de Lula (PT) em 2022.
Segundo ela, o petista levou o Brasil a um cenário de “dominância fiscal”, situação em que o governo perde o controle das contas públicas.
Não existe, de acordo com Marques, “coração político” na Faria Lima, no mercado financeiro ou nos bancos, nem “ideologia” ou “convicção”, mas sim “pragmatismo”, “balanço”, “expectativa de taxa de juros” e interesse por dinheiro.
No caso do mercado, há “pragmatismo em relação à precificação dos ativos, falando tecnicamente. Então, hoje, é um consenso que o Lula está levando o Brasil para o mesmo”. Já em relação à Faria Lima, “hoje, quem representa uma aposta melhor para o Brasil, em termos de trajetória e de juros, é o Flávio, não é o Lula. E toda vez que o Lula sobe na probabilidade de ganhar, o mercado piora. […] E toda vez que o Flávio sobe, o mercado melhora”.
Segundo ela, a Faria Lima e o mercado financeiro perceberam que, sob o governo Lula, o país vive um cenário de dominância fiscal, com o Brasil se afogando no “descontrole absoluto de contas”.
“O Brasil foi recorde de recuperação extrajudicial de falência no primeiro semestre desse ano, mais de 6 mil empresas. 83% das famílias também endividadas, indo para 40% da sua renda comprometida para pagar dívida. E agora, se continuar nessa trajetória, o modelo colapsou, vai arrastar todo mundo, inclusive os bancos, porque vai quebrar o balanço deles”, continuou Marques.
“Por isso que agora é um consenso que o Lula tem que perder essa eleição e fica no sonho [dessas entidades] de outra via que não seja o Flávio”, explicou. “Mas o Flávio é a via possível para ganhar do Lula hoje”.
Daniella também afirmou que o arcabouço fiscal elaborado por Lula (PT) e Fernando Haddad (PT) “virou um calabouço” para o país e que o Brasil está “indo para o abismo”.
“O Lula assumiu esse governo com 71,67% de dívida PIB e está fechando acima de 80%. E quando você olha a projeção, a gente vai bater 100% do PIB em dívida, em despesa com juros. Então, o contra número não tem argumento”, afirmou, acrescentando que o “Lula 4 foi muito pior do que o Dilma 2”.
A ex-presidente da Caixa disse ainda que, caso seja eleito, Flávio conversará com representantes do setor produtivo, do setor de energia, do agronegócio e do mercado financeiro: “Mas a gente vai conversar para mostrar o que a gente acredita como resultado de política e Estado do Brasil. E não o que A ou B querem fazer”.
“Isso foi baseado em um diagnóstico muito profundo e sólido de país, que foi feito pela campanha, antes mesmo de eu chegar. E uma construção coletiva em cima de um pensamento de Estado e não do setor A, B ou C, qualquer que seja”, completou.
Durante a entrevista, Marques também afirmou que nunca trabalhou em banco privado, tendo atuado apenas na Caixa. Segundo ela, toda a sua trajetória foi no mercado financeiro, no “segmento de gestão independente”. “Existe um estereótipo meu, como se eu pertencesse àquela comunidade… pertenço como profissional, mas [sou] contra a concentração bancária”, completou.
